quarta-feira, 6 de junho de 2018

Divulgação: Novidade Topseller

Em 1896, Mileva Maric, uma mulher extremamente inteligente, é a única estudante do sexo feminino a frequentar o curso de Física numa universidade de elite em Zurique. É aí que se apaixona pelo colega Albert Einstein, com quem acaba por casar e ter três filhos. Apesar da total dedicação aos filhos, Mileva nunca abandona a sua paixão pela ciência, trabalhando em conjunto com o marido e contribuindo para estudos científicos tão importantes como a Teoria da Relatividade.
Contudo, por nunca ter concluído a licenciatura, todo o mérito dos artigos que escreve com o marido é-lhe atribuído a ele. À medida que a fama de Albert Einstein aumenta, cresce também o receio de Mileva de que as suas próprias ideias científicas permaneçam para sempre sob a sombra do marido, com quem mantém uma relação cada vez mais conturbada.
A Mulher de Einstein é um romance, inspirado em factos reais, que relata a história da primeira mulher de Einstein, uma cientista brilhante cuja contribuição para a Teoria da Relatividade continua a ser altamente debatida.

Marie Benedict é uma advogada norte-americana com mais de dez anos de experiência. Além de tirar a licenciatura em Direito, formou-se também em História e História da Arte. Marie sempre sonhou desenvolver trabalhos que pudessem dar a conhecer a vida e os feitos de grandes mulheres da História. Quando começou a escrever, teve finalmente essa oportunidade.
É também a autora dos romances históricos The Chrysalis, The Map Thief e Brigid of Kildare, assinando com o nome Heather Terrell. Actualmente, vive em Pittsburgh com a família.

terça-feira, 5 de junho de 2018

Um de Nós Mente (Karen M. McManus)

Simon Kelleher criou uma aplicação onde partilha os mexericos mais sumarentos da escola - quem anda a enganar quem, quem copiou, quem se faz passar por algo que não é. E escusado será dizer que isso não lhe trouxe propriamente grandes amigos. Mas o que ninguém espera é que Simon acabe morto numa sala onde está com outros quatro colegas de castigo, no que começa por parecer um acidente, mas cujas incongruências não tardam a apontar para algo mais funesto. Cedo as suspeitas começam a recair sobre os quatro alunos presentes na sala: Bronwyn, a boa aluna; Cooper, o atleta promissor; Addy, a rainha da beleza; e Nate, o jovem cadastrado. Uma coisa é certa: só eles estavam na sala onde Simon morreu. E todos eles têm segredos que Simon estava prestes a expor...
Misturando os dramas normais da vida escolar com um caso de contornos bastante mais sombrios, este é um livro que cativa, em primeiro lugar, pela naturalidade com que as duas facetas parecem encaixar. Por um lado, a vida normal dos quatro protagonistas, com os dramas, os conflitos e as inseguranças da vida escolar - ainda que agravadas pela infame aplicação de Simon. Por outro, a morte inexplicável de Simon, com a investigação e as atenções mediáticas - bem, como é claro, o crime em si - a criar novos focos de tensão entre e em redor das personagens. E tudo com um ritmo sempre intenso e envolvente, aberto quer a momentos de humor, quer a episódios de grande emoção - mais uma vez, sem esquecer a aura de mistério que envolve o estranho caso de Simon.
Para este equilíbrio contribui em muito o facto de autora acompanhar os quatro suspeitos, narrando partes da história dos seus pontos de vista, o que permite uma visão mais próxima do que lhes está a acontecer e dos segredos que precisam de guardar. Além de manter viva a suspeita, esta forma de contar a história permite ver os diferentes mundos em que as personagens se movem e entender de que forma o ambiente molda a sua posição no mundo. E isto reflecte-se também na forma como investigadores e imprensa lidam com as personagens, levantando pelo caminho várias questões pertinentes.
É fácil entrar no ritmo do enredo e a leitura facilmente se torna viciante, não só pela forma como a autora consegue realçar sempre o essencial, mas também pela mistura de surpresa e empatia que parece acompanhar todo o percurso. Ao dar voz às próprias personagens, a autora realça-lhes os medos e as dúvidas. Mostra-as como são: jovens à procura do seu lugar no mundo, inseguros e vulneráveis e muito longe de perfeitos. E talvez nem sempre seja fácil entender as suas decisões - mas os erros também fazem parte do crescimento e, assim sendo, faz todo o sentido que aconteçam.
Intenso, intrigante e com uma muito envolvente mistura de dramas pessoais, momentos de emoção e segredos perigosos, trata-se, portanto, de um livro que cativa do início ao fim e que, ao longo do seu sempre agradável percurso, consegue abordar vários temas relevantes sem nunca se perder do enredo central. Uma belíssima surpresa, em suma, e um livro que não posso deixar de recomendar.

Autora: Karen M. McManus
Origem: Recebido para crítica

Divulgação: Novidade Topseller

Maria Weston morreu durante a sua festa de finalistas do liceu. Era uma rapariga irreverente, autêntica e tinha a vida pela frente… O corpo nunca foi encontrado. Portanto, quando Louise Williams, 25 anos depois, recebe o seu pedido de amizade no Facebook, entra em pânico.
Depois do pedido, começam a chegar as mensagens. Inicialmente, parecem inofensivas. Memórias de um passado que Louise não quer relembrar, mas apenas isso.
Depois, começam a ser cada vez mais detalhadas, e as recordações aproximam-se perigosamente de um segredo que nunca deverá ser revelado. Louise nem imagina o que aconteceria se todos soubessem o que realmente aconteceu a Maria.
Mas, afinal, é apenas o Facebook, certo? Mesmo quando Louise sente alguém a segui-la no metro. É tudo virtual, não é? Até quando há objectos a desaparecer de casa. O que se passa nas redes sociais não é a vida real, certo?

Laura Marshall cresceu em Wiltshire, no sudoeste de Inglaterra, e estudou Inglês na Universidade do Sussex.
Quando decidiu que queria escrever, fez formação em Escrita Criativa através de um programa da agência literária Curtis Brown.
O seu primeiro romance, Pedido de Amizade, foi finalista do Bath Novel Award 2016 e alcançou a shortlist para o Lucy Cavendish Fiction Prize de 2016. Foi bestseller do Sunday Times e de vendas em e-book. 

segunda-feira, 4 de junho de 2018

O Pântano dos Sacrifícios (Susanne Jansson)

Nathalie Nordström deixou o passado para trás e construiu a sua vida longe de Mossmarken, onde em tempos uma tragédia abalou toda a sua vida. Mas agora está de volta para, no pântano onde cresceu, levar a cabo uma experiência e talvez vencer alguns fantasmas. Mas aquele não é um pântano normal. Diz-se que, em tempos, lá foram feitos sacrifícios de todo o tipo - incluindo humanos. E, ao longo dos anos, foram vários os desaparecimentos ali perto. Agora, movida por um pressentimento, Nathalie acaba de salvar a vida de um homem violentamente agredido e prestes a afundar-se no pântano. No mesmo pântano onde começam a ser descobertos vários cadáveres...
Com uma intrigante aura de mistério e um leve toque de sobrenatural, este é um livro em que, apesar do seu ambiente algo peculiar, é fácil entrar no ritmo da narrativa. A escrita é bastante directa e, apesar de as vastas descrições do pântano conferirem ao enredo um ritmo um pouco mais pausado, realçam também a especificidade das circunstâncias, o que torna tudo mais enigmático, pois, num cenário onde tudo é invulgar, as revelações têm, inevitavelmente, um maior impacto.
Também deveras intrigante é a forma como a autora conjuga um possível elemento sobrenatural com o que é acima de tudo uma investigação policial, acrescentando-lhe ainda outro tipo de fantasmas: os do passado. A história de Nathalie e do que a afastou daquele local acrescenta ao enredo um elemento pessoal que torna tudo mais próximo. Além disso, a presença dos espíritos - no pântano ou, pelo menos, na mente de algumas personagens - insinua outro tipo de possibilidades, levantando suspeitas e reforçando também o impacto das grandes revelações. E, não sendo este um policial particularmente gráfico ou cheio de acção - as respostas surgem mais por dedução ou recordação, do que propriamente por grandes actos ou perseguições - este ambiente misterioso parece harmonizar as coisas.
Há ainda um terceiro elemento a reforçar este equilíbrio: a conjugação de comunidade e isolamento que parece definir Mossmarken. É um meio pequeno, onde há pessoas que se conhecem e colaboram, onde as grandes perdas parecem ter um impacto mais vasto, mas também onde a vida individual parece fechar-se sobre si mesma. Talvez por isso a crença nos espíritos tenha um papel tão importante nesta história. 
Até porque nem tudo encontra respostas definitivas. Se, para o mistério essencial dos cadáveres no pântano e para o passado de Nathalie há uma resolução definida, há, todavia, elementos secundários que são deixados em aberto. E, sendo certo que fica uma certa vontade de saber mais sobre estas personagens e aspectos menos explorados, também o é que este equilíbrio entre mistério e revelação faz todo o sentido num ambiente como o desta história.
Enigmático e intrigante, trata-se portanto de um livro que, não sendo propriamente de ritmo compulsivo, cativa, ainda assim, desde muito cedo, quer pelos seus múltiplos mistérios, quer pelo ambiente invulgar onde tudo acontece. Misterioso, surpreendente e com uma escrita fluída e envolvente, uma belíssima estreia.

Autora: Susanne Jansson
Origem: Recebido para crítica

Divulgação: Novidade Planeta

Em 1951, um homem caminha pelas ruas de Copenhaga como se estivesse sem rumo. Palle Hardrup dirige-se para um banco, dispara contra o gerente e um funcionário e foge com o dinheiro. Quando é preso e interrogado afirma não se lembrar de nada e as testemunhas oculares corroboram que ele parecia estar numa espécie de transe.
O investigador Anders Olsen descobre que quando Palle cumpria pena de prisão esteve na mesma cela do carismático Björn Nielsen. Juntos, fizeram yoga e meditação – e Olsen começa a suspeitar que Nielsen o hipnotizou e lhe ordenou que roubasse o banco. Anders também suspeita que Nielsen é o misterioso Anjo-da-Guarda, que Palle afirma que lhe envia mensagens de Deus.
Mas este homem foi um ex-colaborador nazi e tudo indica que de facto, alguém quer que arque com as culpas. Quanto mais investiga mais a sua saúde mental começa a entrar em colapso com as maquinações que vai descobrindo e com a hipótese aterradora de alguém poder manipular outra pessoa para cometer um crime.

Arto Halonen é um director de cinema e guionista, conhecido pela sua vincada consciência social em relação aos seus objetivos. É uma das poucas pessoas no mundo que entrevistou o assassino Palle Hardrup.
Kevin Frazier é um romancista, escritor de ficção, ensaísta e revisor que mora em Helsínquia. As colaborações anteriores entre Halonen e Frazier incluem o premiado documentário Shadow of the Holy Book.

sábado, 2 de junho de 2018

Já Não se Escrevem Cartas de Amor (Mário Zambujal)

A passagem do tempo e o aniversário de um antigo companheiro despertaram em Duarte os apegos da memória. Memórias de um tempo de boémia, de mistérios, de paixões arrebatadoras... e de cartas. De cartas que se escreviam, cheias de romantismo, e que pesavam sempre demasiado. Enquanto espera pela mulher numa noite de tempestade, Duarte recorda esses tempos e as suas estranhas aventuras... de paixões destinadas a acontecer.
Relativamente breve e centrado, acima de tudo, nas aventuras e desventuras do protagonista, este é um livro que cativa, principalmente, pelo delicado equilíbrio entre estranheza e naturalidade que parece pautar o percurso de Duarte. Duarte é uma figura do seu tempo - habituado aos excessos e à vida nocturna, com as suas vontades e transgressões. Mas é também um homem apaixonado - ainda que de uma forma algo peculiar. E a história vive, em grande medida, dessa sua paixão, mas também da forma como extravasa para as outras facetas da sua vida: as relações pessoais e profissionais, as atracções mais ou menos fugazes e, ao contemplar-se no passado, a percepção de um mundo que mudou.
Tudo isto surge de forma relativamente sucinta, como que ao ritmo das memórias do protagonista. E, havendo todavia tantas relações e personagens interessantes, é verdade que fica uma certa curiosidade insatisfeita acerca do mundo que rodeia Duarte. Mas é também verdade que os elos essenciais estão lá - o despertar do amor, a evolução profissional e pessoal, a passagem do tempo e o crescimento que ela traz e, claro, o simples passar dos anos. E, curiosamente, há até um outro elemento secundário - a existência de um crime por explicar - que, não sendo essencial à história de Duarte, acaba por lhe acrescentar uma certa aura de mistério que, apesar de leve (como tudo o resto neste livro), torna a narrativa também um pouco mais intrigante.
Mas volto à questão da naturalidade para realçar a forma como a história é contada. A personalidade de Duarte parece transparecer de cada palavra, como que com uma certa bonomia de quem leva a vida sem grandes preocupações. É também daqui que surge a leveza - da forma como o protagonista parece encarar a vida e que se reflecte no modo de contar a história. Leveza, mas não demasiada, pois o Duarte que aguarda em noite de tempestade tem ansiedades bastante distintas das do Duarte das recordações. Cresceu, enfim, de certa forma, e também isso se nota na narrativa.
Fica, no fim, a impressão de uma leitura leve e cativante, a evocar uma certa saudade de tempos diferentes. Diferentes, mas movidos pelas mesmas coisas essenciais: o amor, a amizade, a tranquilidade e, claro, a boa companhia. Não tão diferentes, então, não é verdade?

Autor: Mário Zambujal
Origem: Recebido para crítica

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Dei o Teu Nome às Estrelas (Rui Conceição Silva)

Joaquim é um homem solitário numa terra onde domina a tranquilidade e onde as redes do progresso estão ainda a décadas de distância. Mas a tranquilidade de Figueiró dos Vinhos estende-lhe novas possibilidades com a chegada de um grupo de pintores com quem cria amizade. Começam assim os seus dias de glória - glória essa que aumenta ao escutar pela primeira vez o canto de uma voz encantadora. A dona da voz é Olinda e rapidamente lhe arrebata o coração. Mas Olinda está prometida a outro homem e aqueles são tempos em que a vontade de uma mulher não tem peso. Principalmente quando há dívidas e interesses a defender...
Com uma considerável componente descritiva e muito espaço para a introspecção e para os meandros dos conflitos e dilemas interiores, este é um livro de ritmo relativamente pausado, mas que, aliando uma escrita belíssima a uma história cujo poder se revela aos poucos, cativa desde muito cedo e nunca deixa de surpreender. Primeiro, pela beleza das palavras e pelo recuo a um passado tão amplamente caracterizado. E depois pela forma como amor, amizade, ligações familiares e o simples afecto que liga uma pessoa ao seu lugar no mundo fazem com que a história de toda uma vida possa fluir como de instantes se tratasse.
É uma história que vive tanto do interior - dos pensamentos, das decisões certas ou erradas, das emoções, das dúvidas e das percepções que se criam do mundo e daqueles que o povoam - como das acções exteriores. Tão importantes como as aventuras dos pintores, como a aproximação a Olinda e como os desenvolvimentos - felizes e amargos - desta história de amor, é o impacto que cada um destes elementos tem na vida interior do protagonista. Vida essa que é vastíssima, demorando-se em pensamentos e expressões de emoção moldadas ao ritmo da solidão. E há uma estranha beleza em tudo isto, pois, muitas vezes, o que se vive por dentro não transparece no exterior, pelo que, ao contar a história desta forma, o autor relembra as complexidades insuspeitas que, às vezes, se escondem nos labirintos da alma humana.
Não é uma leitura compulsiva. As longas descrições, a caracterização pormenorizada do ambiente e do contexto e as longas instrospecções do protagonista - introspecções que, por vezes, parecem traçar círculos completos entre um ponto e o seguinte da sua vida - exigem um certo tempo e concentração para que todos os pormenores sejam assimilados. Mas há na escrita uma tão cativante poesia que a leitura nunca se torna aborrecida. E mesmo quando as ideias se repetem - pois a vida de Joaquim parece levá-lo repetidamente ao encontro daquilo que mais o define - a história nunca se torna cansativa, pois há sempre um motivo para esses pensamentos e divagações.
No fim, fica a sensação de se ter viajado ao passado, caminhado com os mestres e assistido a uma história de amor que, não sendo fácil nem limpa, é precisamente por isso mais real. Cativante, surpreendente e magnificamente escrito, um romance que leva o seu tempo - mas que merece cada instante. 

Autor: Rui Conceição Silva
Origem: Recebido para crítica