segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

A Sombra Alastra (Robert Jordan)

Trata-se de uma leitura de peso, quer pelo nome e prestígio do autor desta fantástica saga, quer pelo volume do livro, mas não há dúvidas que este "A Sombra Alastra", bem como todos os anteriores livros da série Roda do Tempo, estão entre o que de melhor se fez na área do fantástico.
Neste quarto volume, adensam-se as tramas em volta do Dragão Renascido. Rand al'Thor, bem como os seus conterrâneos Matrim Cauthon e Perrin Aybara vivem novas aventuras, lutando contra as forças do Tenebroso, enquanto se descobrem perante desafios cada vez mais complexos.
Confesso que é um livro que assusta, ao primeiro contacto com as suas cerca de 1100 páginas, mas que, a partir do momento em que se dá início à leitura, é impossível de largar. A profundidade e diversidade das personagens, juntamente com os variados desenvolvimentos na teia da história, tornam o leitor parte do caminho dos protagonistas, de uma forma cativante, e, ao alcançar o final do livro, parece que, afinal, as longas páginas passaram depressa e ficamos com vontade para ler mais.
Aes Sedai, Ogier, Trollocs e outras criaturas imaginárias fazem parte da magia que adensa toda a complexidade desta longa narrativa, uma viagem que nos guia através de uma multiplicidade de paisagens: desertos, montanhas, cidades e aldeias.
E são todos estes aspectos que cativam a memória e a imaginação do leitor, e que, por isso, tornam A Roda do Tempo numa série imperdível e inesquecível.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O Dragão Branco (Anne McCaffrey)

Há muito tempo que estava à espera deste livro. Na verdade, desde que, por acaso, me cruzei com o primeiro livro desta saga (O Voo do Dragão), que fiquei com vontade de ler os livros e nem por um momento me arrependi de os ter trazido para casa.
E, se todos os livros da saga são simplesmente magníficos, penso que neste terceiro volume da história dos Cavaleiros de Pern, há um auge de qualidade e de emoção que é atingido. À medida que acompanhamos a evolução do jovem Jaxom, senhor de Ruatha, e do seu dragão, Ruth, vamos conhecendo, de uma forma completa e soberbamente escrita, uma nova dimensão do que é a vasta totalidade de Pern.
Magníficas como sempre, as personagens conseguem cativar o leitor pela multiplicidade dos seus carácteres, enquanto as próprias acções parecem ter sempre um novo mistério para revelar. Mas nem só a narrativa é forte: as próprias mensagens, as emoções e os pensamentos que as personagens inspiram ao leitor, contribuem para tornar este livro numa obra inesquecível dentro do género.
Impressionante, sem dúvida.

sábado, 10 de janeiro de 2009

A Fantástica Aventura dos Anões da Luz - Em Busca de Sulti (Catarina Coelho)

É, sem dúvida, uma obra luminosa este primeiro livro que Catarina Coelho nos apresenta. Luminosa pelo ambiente que inicia a história, calmo e pacífico, cheio de uma harmonia capaz de invadir os corações, mas também pela forma de escrita, que nos agarra e envolve como se também nós pudéssemos ser um desses pequenos seres, tão mágicos e harmoniosos, que partem em busca de Sulti.
Capaz de nos cativar desde a primeira página, esta aventura apresenta-nos, de uma forma profundamente viciante, o eterno duelo entre a luz e as trevas, mas este duelo, mais do que entre dois grupos de contendores, passa-se no coração dos pequenos anões de quem tão avidamente seguimos o percurso. Encontramo-nos, a cada passo, com paisagens diferentes, na sua mágica beleza, com criaturas poderosas e, por vezes, ameaçadoras, mas o mundo que a Catarina criou ensina-nos uma grande lição. Existe sempre uma luz capaz de superar as trevas.
E são esses os dilemas com que nos encontramos, como se fôssemos as personagens. O poder seduz-nos, arrastando-nos para uma luta interior. Quanto estaremos dispostos a perder para conquistar a vitória? E a coragem das personagens embala-nos como num sonho, enquanto, por vezes, o sucesso se assemelha a uma miragem, mas, ainda assim, os pequenos seres que lutam contra o tempo, contra a tentação, contra as suas próprias fraquezas, e ainda contra os inimigos exteriores, conseguem encontrar a força pelo meio do desânimo.
Trata-se, sem dúvida, de uma história mágica, capaz de apelar aos corações dos mais jovens, pela magia e pelas lições importantes que contém, mas também capaz de fascinar os mais velhos, pelo fantástico enredo da história, pelo realismo dos sentimentos e contradições que tocam a alma das personagens e pela magnífica forma de escrita da Catarina.
Sem dúvida alguma que recomendo o livro a todos os apreciadores de uma história fantástica bem escrita, cativante e capaz de nos ensinar um pouco. Porque os anões da luz e todas as outras criaturas que nos são apresentadas cativam-nos a alma e fazem-nos sonhar, como se desse mundo fizéssemos parte.
Muitos parabéns, Catarina, por este livro lindíssimo. Vou ficar à espera de mais!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Cúmplices Momentos (Helder Magalhães)

É um hino ao amor, este livro, cantado em toda a magia dos momentos. Cumplicidade, paixão, desejo e ternura enchem as páginas deste segundo livro, magicamente poetizado por Helder Magalhães.
Entre páginas de reflexões, meditações lunares, poesias incendiadas pelo êxtase de desejo, há um sentimento comum que se ergue da totalidade destas páginas, como uma divindade. Esse sentimento é o amor, eterno companheiro da musas e dos poetas.
E que poesia esta, onde tantos sentimentos se entrecruzam para louvar a magia do mais elevado sentimento! Este livro é, simplesmente, amor em forma literária, uma canção que percorre as notas sonantes do coração. Um livro para amantes, para sonhadores e para leitores do sentimento... Porque amar é preciso.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Vazio - Ausência Onde nos Encontramos (João Ramos)

Impressionante a forma como as cores e a magia, os sussurros da alma e os gritos da emoção se fundem e confundem no poder das imagens poéticas que percorrem este livro de poesia.
A cada página, um novo silêncio é revelado, um novo espaço no vácuo onde se contemplam os sentimentos. Tudo é possível na estrada destes versos, onde o quotidiano contempla o invulgar e a voz parece abranger, nos seus pequenos nadas, a orla do absoluto.
É sempre mágico descobrir um talento inesperado nas páginas de um novo livro. Este livro em particular proporcionou-me muitos e gratificantes momentos de leitura, pontos de identificação, traços de sentimento e um pouco da luz e das trevas que se escondem no vazio de cada alma.
Parabéns, João, por este livro magnífico. E que mais venham a seguir.

Khaos Poeticum (B.M. Resende)

Uma voz que se agita entre todas as convulsões e revoluções da natureza humana. Uma revelação de sentidos na magia de um ambiente onde a obscuridade, o prazer e os traços de uma secreta mitologia se fundem na concretização de uma poesia que é, em simultâneo, raciocínio e emoção.
Khaos Poeticum, o livro do autor BM Resende, reflecte em cada verso uma nova imagem, como um espelho de mil esferas que se completa algures entre a ordem e o caos. Traçam-se imagens de trevas, que se complementam na luz, e o absoluto parece roçar os véus do enigma que é cada verso.
Em suma, um livro para apreciar com calma e, principalmente, com alma, roçando os limites de uma luminosidade gótica e de uma obscuridade mitológica. Para todos os que amam a escuridão... mas também para os que caminham pela luz e pela bruma, um conjunto de poemas capazes de abrir as portas do sonho e de entrelaçar de uma forma mais pura o caos e a ordem interiores.

Goor - A Crónica de Feaglar (Pedro Ventura)

"Abriram-se as portas de um mundo novo e eu entrei." Foi este o pensamento que me surgiu na cabeça logo às primeiras páginas desta grande saga da autoria de Pedro Ventura, um livro que me acompanhou durante longos e fascinantes momentos e que não poderia deixar de comentar.
Muito se poderia dizer sobre este livro, começando pelo enredo, passando pelas personagens e por toda a constituição do universo onde, subitamente, mergulhamos. E é essa complexidade que nos invade e que nos arrasta para dentro das palavras desde a primeira página, até que, quando chegamos ao fim, (a altas horas da madrugada) ficamos a pensar que acabou cedo demais, porque queríamos continuar a ler.
Muito me encantou nesta história, mas tenho que iniciar a minha exploração por algum ponto, por isso vou começar pelos territórios e repectivas raças. Ao entrar neste mundo, deparamo-nos com uma diversidade de espaços geográficos, cada qual com as suas gentes e os seus costumes, todos eles magnificamente descritos e fascinantes na sua multiplicidade. Dentro de cada povo, temos a sua hierarquia, as suas leis e as suas tradições, e, em cada personagem vemos o reflexo da sua gente.
O que me leva a outro ponto alto destes livros. Ao longo da história, amamos e odiamos as personagens, cada uma delas profundamente humana e, portanto, com os seus momentos de bondade e de maldade, reflectindo os diferentes graus de cinzento da vida. Pessoalmente, a personagem que mais me marcou foi Feaglar, não só pela sua odisseia épica, mas pela personalidade que reflecte, heróico e nobre, mas ainda assim, humano e passível de falhar. Essa humanidade, que se reflecte também nas restantes personagens e na forma como interagem, fascina pela forma como nos leva a simpatizar e, por vezes, a identificar nas personagens alguns laivos do nosso próprio carácter.
Gosto também da forma como a magia e o destino são encarados ao longo da história, a magia como uma força presente, mas subtil e sem exageros, o destino como uma entidade que, não podendo ser ignorada, não se sobrepõe à vontade dos homens, verdadeira força que põe em marcha os grandes momentos da história.
Por último, de realçar a profunda complexidade das relações entre as personagens, que, nas suas forças e fraquezas, proporcionam momentos verdadeiramente tocantes, num livro que, mais que uma simples aventura, é um reflexo de emoções, num ambiente que se quer épico, sim, mas que não deixa de ser um sublime espelho da complexidade da mente humana.
Concluindo... Li atentamente (ou talvez devesse dizer devorei) ambos os volumes desta história e, tal como, certamente, muitos outros leitores, fiquei impressionada com o talento e a magia que se desprendem ao longo de tão cativantes páginas. Recomendo este livro a todos os amantes do fantástico, mas também a todos aqueles que procuram um livro capaz de fazer sonhar e sentir.
Sorri, chorei... e fiquei a desejar mais. Numa palavra: excelente.