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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Amante de Sonho (Sherrilyn Kenyon)

Julian da Macedónia é um escravo de amor grego, aprisionado por toda a eternidade no interior de um livro, à espera que uma mulher o convoque para satisfazer as suas fantasias. Quando, contudo, quase involuntariamente, Grace Alexander o convoca para a sua casa, a sua existência resignada parece ter encontrado o seu fim. Grace é diferente. Grace deseja dele mais que prazer sexual. E por isso essa mulher solitária e insegura mudará o seu destino.
Este livro é uma divertida mistura de romance, sensualidade e fantasia. Numa escrita bem-humorada e irónica, que diverte e entretém, a autora é, ao mesmo tempo, capaz de fazer rir com a estranheza de Julian ante o novo mundo e a reacção das mulheres à sua "semi-divindade", intrigar, com a estranha relação dos deuses no passado (e também no presente) do general macedónio, e comover com a história da sua existência atormentada e da injustiça da sua vida.
"Amante de Sonho" é, pois, um livro de leitura fácil e rápida, uma obra excelente para descontrair e entreter. E, não sendo uma obra prima literária, não deixa de ser um livro viciante, com alguns momentos marcantes. Não recomendaria esta obra a todos os leitores, pelo seu elevado cariz romântico e sexual, que não agrada a todo o público. Mas para quem não tem medo de um bom romance, divertido e comovente, sem dúvida que esta será uma boa leitura.

sábado, 5 de setembro de 2009

O Menino e o Cavalo (Rupert Isaacson)

Rupert imaginava o melhor para o seu filho: inteligência, audácia e força. Apaixonado pelos cavalos, esperava que o seu filho seguisse o mesmo caminho. Pouco tempo depois, contudo, os seus sonhos ameaçam ruir quando é diagnosticado autismo ao seu filho Rowan. A partir daí, a sua vida torna-se numa confusão de birras, terapias e frustrações, à medida que Rowan se afasta progressivamente do mundo "normal". E é então que Rupert descobre Betsy e a relação do seu filho com os animais.
Esta é uma história bela e comovente, a história de um casal que se decide a viajar até aos cantos mais remotos do mundo para encontrar uma cura para o seu filho. E, à medida que Rupert nos conta as aventuras da sua viagem, os pequenos sucessos, as grandes frustrações, e todos os pequenos nadas que constituem cada um dos seus dias, vamo-nos deparando com um relato claro e comovente da realidade das crianças autistas.
Para nos trazer a história da sua viagem, Rupert Isaacson não ignora ou minimiza os momentos menos bons. Relata-os, sim, tal como foram, desde o comportamento arrogante das pessoas que confundem o problema de Rowan com excesso de tolerância da parte dos pais, à estranheza e, por vezes, repulsa, que lhes inspiram os rituais xamânicos que procuraram na Mongólia. E é isso que torna este livro tão tocante. É como se, em cada página, acompanhássemos, nós também, a busca de Rupert e Kristin de uma cura para o seu filho.
Este é um livro profundamente real e transbordante de emoção. E é por isso que julgo que todos deviam ler este livro, independentemente da sua vertente literária. Porque esta é uma história que merece chegar a todos.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A Rapariga que Brilha no Escuro (Joshilyn Jackson)

Tudo começa quando, na sua casa ideal de Victorianna, Laurel Gray Hawtorne, sonâmbula, vê um fantasma diante da janela. Sim, um fantasma que lhe aponta para o cadáver na sua piscina. E é tendo por base esta morte inexplicável que se desenrola uma história que é, simultaneamente, um drama familiar e uma espécie de investigação. Para descobrir o que realmente aconteceu a Molly, a criança afogada, Laurel terá de enfrentar muitas das suas memórias e rebuscar o seu passado, para além de fazer as pazes com uma irmã conflituosa e uma mãe que se mantém num mundo perfeito e irreal.
Este é um livro que, inicialmente, custa a assimilar. As oscilações entre o passado e o presente da protagonista são muitas e, por vezes, abruptas, pelo que ao princípio a leitura deste livro pode ser um pouco difícil. A partir do momento em que se apanha o ritmo, contudo, o leitor é puxado para o interior da história, para a confusa vida de Laurel. Com ela, amamos e odiamos algumas personagens, e procuramos juntar as pistas para resolver o seu mistério.
Não será, provavelmente, um livro para todos os públicos. A mistura dos elementos românticos com a questão da morte por explicar poderão tornar este livro um pouco cansativo para quem aprecia uma leitura simples. Ainda assim, com o seu final surpreendente e todos os elementos invulgares que a autoria insere na história (desde a vida miserável de De Lop, uma antiga vila mineira, à peculiar personalidade de Bet Clemmens, a criança que passa uma temporada na casa de Laurel), este é um livro que envolve, que inspira e que vale a pena ler.
Muito bom.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A Stir of Echoes (Richard Matheson)

Mais um livro de um autor que dispensa apresentações, e mais um livro excelente. Este conta-nos a história de Tom Wallace, que, depois de uma sessão de hipnotismo realizada em ambiente de brincadeira, começa a captar manifestações do paranormal. E o início desses estranhos fenómenos processa-se quando vê, pela primeira vez, a figura de uma estranha mulher parada na sua sala.
O que mais admiro em Richard Matheson é a sua capacidade de misturar, com um toque de génio, os elementos do medo e do horror, com uma profunda e poderosa abordagem dos sentimentos e das relações. No caso deste livro, é impressionante a forma como os novos dons de Tom intervêm nas suas relações afectivas, tanto com a esposa como com os amigos e vizinhos. A esse aspecto junta-se a sombra de uma loucura possível (talvez provável) e o resultado é uma obra de arte em 200 páginas.
Para todos os fãs do horror, este é um imperdível. E se viram o filme protagonizado por Kevin Bacon, supostamente baseado neste livro, esqueçam o filme e leiam. Porque é muito mais que a diferença entre a escrita magistral de Matheson e a passagem da história à imagem. Mais uma vez (como em Eu Sou a Lenda), a história do livro e a do filme são completamente diferentes.
Sem dúvida que recomendo este livro: é uma leitura rápida, viciante e genial. Quanto a mim... Vou à procura de mais livros do autor.

domingo, 30 de agosto de 2009

Jardim sem Muro (José Leon Machado)

Este é um daqueles livros que me surpreendeu muito e pela positiva. Não estava à espera de gostar tanto deste conjunto de 19 contos que, de uma forma ou de outra, abordam as relações humanas, através dos amores, das paixonetas e de outros afectos similares.
Escritos de uma forma clara e precisa, sem floreados desnecessários, são histórias reais, fragmentos que poderiam ser retirados do quotidiano de cada um. E é por isso que cada leitor encontrará, numa ou noutra personagem, nalgum dos acontecimentos relatados, um ponto com que se identificar e uma história com que se comover.
Sem dúvida, um livro marcante pelo seu realismo e pela forma sempre surpreendente com que nos vamos encontrando connosco próprios, esta é uma daquelas obras para saborear devagar e atentamente. Acima de tudo, é um livro em que, ao chegar ao final de cada conto, nos deixa na mente a sua história e as suas reflexões.
Magnífico.

sábado, 29 de agosto de 2009

O Espelho Quebrado (Brian Keaney)

Continuam as aventuras de Dante Cazabon e dos seus amigos. A sua luta, contudo, nada tem de fácil e, à medida que novas revelações vão surgindo, o caminho a seguir torna-se progressivamente mais complexo, exigindo dos nossos protagonistas as mais difíceis decisões e sacrifícios.
Neste segundo livro, apesar de pequeno, aumenta a complexidade do enredo. Novos elementos são introduzidos na história e as múltiplas referências mitológicas do mundo criado pelo autor tornam-se mais palpáveis. É fascinante ver a forma como Keaney transferiu para um mundo completamente diferente as diversas crenças e rituais de várias mitologias, criando com elas uma unidade.
Acessível e fluída, a escrita continua a transportar o leitor através da história como um fascinado visitante que, ao ver o desenrolar dos acontecimentos, não consegue deixar de seguir a acção até ao fim. E, mais uma vez, o final imprevisível deste livro deixa-nos ansiosos por saber o desenlace desta complexa história.
Por último, mas também muito importante, a forma como o autor trata os sentimentos e as relações entre os personagens. De forma precisa e clara, mas sem se perder demasiado nas emoções, Brian Keaney leva o leitor a partilhar o medo, a dúvida e a tristeza, mas também a felicidade face às pequenas vitórias, das personagens que nos apresenta. E é por isso que este livro, para mim, só teve um pequeno senão: chega-se ao fim tarde demais, quando se desejava continuar de imediato.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Gente Vazia (Brian Keaney)

Gehenna é um país onde sonhar é visto como uma perturbação mental grave e passível de ser punida com o internamento num asilo. E é neste lugar obscuro e dominado pelas regras que vamos encontrar Dante Cazabon, o protagonista desta história. Dante é-nos apresentado como o ponto mais baixo na hierarquia de tarefas, o filho de uma louca. O que ninguém sabe é que, apesar do ritual da maioridade, Dante continua a sonhar. E é por isso que, depois de conhecer Bea, a vida do jovem muda radicalmente, devido à chegada de um perigoso prisioneiro de nome Ezekiel Semiramis.
Gente Vazia é um livro pequeno, de leitura simples e rápida. A sua história, contudo, tem muito que se lhe diga. Original e curiosa, escrita de uma forma acessível mas cativante, esta é uma narrativa que tem tudo para agarrar o leitor. Com um ritmo de acção bastante acelerado, sem momentos parados, e uma série de revelações imprevisíveis, este é um livro que consegue agarrar o leitor desde o início: primeiro devido à invulgaridade do seu mundo, depois devido à ânsia de novas revelações que inspira aos que seguem as aventuras de Dante, Bea e Semiramis. E este é apenas o início. A história continua em O Espelho Quebrado.
Para os fãs de uma boa história de fantasia, não posso deixar de recomendar este livro, tanto a jovens como a adultos. Quer pela original magia da sua história, quer pela abordagem que apresenta perante as relações e as hierarquias sociais, este é um livro que tem muito para agradar. Muito bom.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O Segredo do Alquimista (Scott Mariani)

Benedict Hope é um homem perturbado pelo passado. Ex-militar, dedica a sua vida a salvar crianças raptadas. Os seus problemas, contudo, começam quando Fairfax, um milionário, o contrata para descobrir, com o alegado fim de salvar uma criança moribunda, um manuscrito medieval que oculta o segredo do elixir da longa vida. Ainda assim, Fairfax não é o único a desejar esse segredo e o resultado é um livro cheio de acção, surpresa e momentos imprevisíveis.
A fórmula deste livro é uma já bastante conhecida: tesouros medievais, enigmas ocultos e gente que está disposta a tudo para possuir um grande segredo. O que o torna, pois, uma boa leitura? Para começar, a escrita fluente, acessível e viciante que, capítulo atrás de capítulo mantém o leitor agarrado ao livro. Depois, as teorias e referências do conhecimento alquímico e da história medieval, explicados de uma forma tão simples, mas tão precisa, que é impossível o leitor não imaginar o que é descrito. Por último, a tremenda carga emocional do protagonista que, em busca de um objectivo para compensar o passado, não deixa de vislumbrar, ainda que isso não o detenha, que não existe, afinal, redenção.
Para quem procura um livro mais complexo, é provável que este não seja o livro ideal. Mas para quem aprecia este género de literatura, simples e envolvente, para esquecer o mundo em redor ao mesmo tempo que se entra na vida das personagens, este é, sem dúvida, um livro para devorar. Eu gostei muito.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Jogo de Espelhos (David Mourão-Ferreira)

É um livro curioso este Jogo de Espelhos. Ou, como o próprio autor afirma, este conjunto de dois livros reunidos num só. No primeiro, os aforismos que o constituem falam basicamente das regras e contra-regras da sedução. No segundo, vemos pequenas frases onde o autor fala de si próprio, de como se vê e do que observa do mundo.
Breve, de leitura rápida apesar do seu número de páginas, este é um daqueles livros que, para ser devidamente apreciado, não se deve ler de uma só vez. Ao lê-lo todo de seguida, há pensamentos que se tornam repetitivos, imagens que não se captam devidamente e reflexões que ficam por fazer. Ao ler apenas uns poucos aforismos por dia, contudo, é possível vislumbrar uma mensagem maior nalgumas frases. Noutras, encontrar a imagem que o autor quis plantar nas suas breves palavras. Noutras ainda, conhecer a verdadeira identidade do autor quando olha para si próprio.
Não o consideraria um livro para todos os leitores, apesar de qualquer leitor ter um pouco para aprender destas duas visões em paralelo. É, ainda assim, uma leitura agradável e dou o meu tempo por bem empregue. Para quem queira reflectir um pouco através de uma leitura breve, este pode ser um livro adequado.

Outros Domínios (Amadeu Baptista)

Magnífico é o mínimo que se pode dizer deste livro de poesia, pequeno no tamanho, mas imenso na sua profunda força. Neste Outros Domínios, designado com o subtítulo de Clamor por Florbela Espanca, Amadeu Baptista apresenta-nos toda a sua magia poética, forte, imaginária e transbordante de significado.
Nas suas múltiplas referências bíblicas, complementadas por um sujeito poético feminino que sente com uma profundidade majestosa, o autor parece reflectir um alter-ego de Florbela, como se, sem perder a sua identidade própria, cantasse em uníssono com a trágica voz da poetisa. E é isso que torna este livro tão sublime. É como se pudéssemos ver Florbela a meditar sobre a charneca, os silêncios, a solidão e o seu irmão Apeles. Mas não é a voz da poetisa que canta, mas a voz de que quem vê a sua procura com os seus próprios olhos e a sua identidade poética.
Uma obra imperdível na poesia portuguesa. Todos deviam ler este livro.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Marcas de Urze (Catarina Costa)

Carregado de hermetismo e de significados ocultos, este pequeno conjunto de poemas é, na sua totalidade, um livro para pensar. Para reflectir acerca dos deuses e dos homens, da fome e da miséria, da vida e da morte. Cada poema rasga sulcos na mente do leitor com a profundidade das suas palavras e as imagens que com essas palavras cria.
Ao longo das suas (poucas) páginas, Catarina Costa apresenta-nos a sua poesia cuidada e elaborada, mas, acima de tudo, mágica pela sua mensagem. Dividido em quatro partes, este Marcas de Urze tem o tom de uma elegia que se repete em ciclos, cada um deles único e irrepetível.
Não é uma leitura simples. A autora não hesita em recorrer a palavras mais complexas e referências que para alguns serão desconhecidos, mas todos esses elementos são partes essenciais da harmonia final deste Marcas de Urze. Para os apreciadores de um bom livro de poesia, bem elaborado na forma e no conteúdo, este é um livro a não perder.

Earthbound (Richard Matheson)

Quando David e Ellen Cooper se retiram para a cabana de Logan Beach, o seu objectivo é apenas resolver o impasse que se instalou no seu casamento. A situação, contudo, adquire contornos tenebrosos quando Marianna, uma mulher bela e misteriosamente possessiva, começa a visitar David na ausência da sua esposa. O problema, contudo, é bem maior que uma simples traição. Marianna traz consigo os segredos do outro mundo e uma força que nenhum dos humanos pode acabar de conceber.
Mais uma vez, este pequeno livro apresenta-nos a imaginação de Richard Matheson no seu melhor. Na linha dos clássicos de horror, com a sua casa fria e o seu fantasma, o autor apresenta-nos uma estranha história de amor e de sentimentos que se descobrem por entre o paranormal. E, com a mestria com que desenvolve cenários e personagens, Matheson conquista o seu leitor, guiando-o através de uma tempestade de pensamentos, emoções e súbitas revelações, ao mesmo tempo que o conduz por um enredo fascinante, envolvente, e que não se afasta mesmo depois da sua palavra final.
Quem leu o livro Eu Sou a Lenda, verá que Earthbound se centra em cenários bem diferentes, instilando uma carga emocional provavelmente mais poderosa. E se este livro contém uma história mais simples, não deixa de ser uma história de impacto com as suas revelações de justiça, vingança, amor e sacrifício.
Uma excelente leitura e, para os fãs do horror, um livro imperdível.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Palácio da Lua (Paul Auster)

Marco Fogg é o nome do narrador e protagonista desta magnífica história. Marco como Marco Pólo e Fogg como Phileas Fogg. As suas viagens, contudo, não são pelo mundo fora, mas através de si próprio, à sua natureza, às suas forças e fraquezas e aos mais básicos conteúdos da sua natureza humana. Mas não é só da sua vida que se trata. São vários os momentos em que o narrador se esquece de si próprio para nos contar a história dos personagens que cruzam o seu caminho: o tio Victor, com as suas excentricidades, Thomas Effing, o velho louco que se esconde de um passado intenso, Solomon Barber com os seus segredos e a história do seu fracasso.
Palácio da Lua foi o meu primeiro contacto com a escrita meticulosa e envolvente de Paul Auster. Com um tom que é simultaneamente de divagação e de memória, o autor converte-nos numa parte da mente do protagonista, a que contempla e ouve a sua história, sentindo e pensando no futuro como uma própria parte do jovem narrador. E é isso que torna este livro tão especial. Por momentos, o leitor partilha os fracassos e as esperanças das personagens, vive com as suas ilusões e caminha com ele para um final poderosíssimo.
Um livro magistral, sem dúvida, e, para mim, uma revelação impressionante. Vou querer ler mais da obra deste autor.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Sede de Viver (J. R. Moehringer)

Fascinante, envolvente e impossível de esquecer quando terminado. São estas as características que definem este livro, onde, com alma, arte e coração, J. R. Moehringer nos conta a sua própria história. Desde a criança introvertida que se escondia no celeiro para ouvir, na rádio, a voz do pai conflituoso, ao sonhador que queria, a todo o custo, ser jornalista no New York Times, J. R. conta-nos as suas lutas, as suas esperanças e as suas desilusões.
Acima de tudo, contudo, Sede de Viver fala-nos de um ponto comum, do porto de abrigo de J.R. e de muitos como eles, do que era, para eles, um dos santuários de Manhasset: o Dickens. E existe tanta vida naquele bar, tantos diálogos, monólogos e interacções, que o leitor não pode deixar de sorrir quando os seus visitantes se divertem e suspirar quando estes se deprimem.
Uma leitura excelente, sem dúvida. Apesar de ser um livro de memórias, parece um romance. Lê-se como um romance. E, como aqueles romances que nos marcam por muito tempo, Sede de Viver é um livro que se estranha, que nos puxa para os pontos onde nos identificamos com o seu narrador, para que partilhemos as suas esperanças e fracassos.
Impressionante.

sábado, 15 de agosto de 2009

La Lengua de Santini (Miloš Urban)

Estranho. É a primeira palavra que me ocorre para descrever este livro que, divagando pelas igrejas e conventos da Boémia e Morávia, nos conta a história de um agente publicitário que, de forma quase inconsciente, se vê envolvido numa investigação sobre o segredo de Santini. A este, junta-se todo um leque de personagens surreais, mortes misteriosas e mensagens codificadas no interior das construções.
Até aqui, tudo bem. É uma fórmula conhecida, mas de sucesso, e este livro tem, de facto, alguns pontos de interesse. As descrições da arquitectura de Santini, a base histórica da vida de Johann de Nepomuk, o santo, e a forma como o autor avança sem se deter em demasiadas descrições desnecessárias tornam La Lengua de Santini numa obra fácil de ler e algo interessante de acompanhar.
Existem, contudo, alguns problemas. As perturbações quase surreais das personagens, muitas das quais ficam por explicar, levam a uma série de acontecimentos que resultam incompreensíveis. Além disso, a explicação para que Martin, o protagonista, se envolva numa ivnestigação que nada tem, à partida a ver com o seu trabalho, nunca chega a ser devidamente apresentada. Mas o mais frustrante na leitura deste livro é verificar que, depois de longas páginas à espera que o protagonista descubra um pequeno segredo... subitamente, ele anuncia que já o sabe (nome da personagem revelada incluído), mas nunca explica como se deu essa descoberta.
Balanço final: é um livro que pode ser interessante do ponto de vista do que tem a ensinar. Tem alguns aspectos positivos, capaz de despertar a curiosidade ao leitor, e a escrita é fluída o suficiente para o impedir de largar o livro. Para mim, contudo... não creio que esses aspectos tenham sido suficientes.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Nove Mil Passos (Pedro Almeida Vieira)

É, desde o início, um livro curioso, este que nos conta as aventuras e desventuras da construção do Aqueduto das Águas Livres. E a sua originalidade começa, desde logo, pelo narrador. Falamos de Francisco d'Ollanda, um dos primeiros humanistas portugueses, e que, morto mais de um século antes dos acontecimentos que narra, nos vem, com os seus poderes de omnipresença e omnisciência, contar a história dos intervenientes na construção do aqueduto.
Com uma escrita invulgar, elaborada e bem construída, o autor traz-nos, com pouco diálogo, mas descrição na medida perfeita, uma visão algo caricata das intrigas e relações da corte, do rei e do povo. É impossível não rir com a divertidíssima descrição que o autor nos apresenta dos rituais da Maçonaria. Além disso, contada de uma forma interessante e envolvente, esta é uma verdadeira lição de História, daquelas que se aprendem com prazer.
Interessante também é notar o constante clima de conspiração que paira na corte, orientada pela temível mão do prior de S. Nicolau. Mas nunca se deve esquecer a presença do nosso narrador, que, além de omnipresente, partilha da vontade de alguns de ver a água chegar ao povo de Lisboa e que, por isso, não deixa de surpreender o leitor, não só pelos seus pensamentos, mas também com as suas acções.
Concluindo. Não diria que este Nove Mil Passos seja uma leitura para todos os gostos. Quem procura uma leitura mais leve poderia cansar-se demasiado cedo deste livro. Com esta excepção, recomendo esta obra a todos os apreciadores do romance histórico, aos que gostam de ler um livro imaculadamente bem escrito e aos que querem aprender com aquilo que estão a ler.
Para mim, esta estreia é um livro magnífico... Agora falta-me encontrar os outros trabalhos do autor.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

A Ameaça (Ken Follett)

Véspera de Natal e os problemas sucedem-se nos laboratórios de investigação da Oxenford Medical. Primeiro foi um funcionário, que, por ligação afectiva a uma das cobaias, leva para casa um coelho infectado com o Madoba-2, uma variante mortífera do vírus Ébola. Para complicar a situação, Kit Oxenford, filho do dono dos laboratórios, tem um plano para roubar o vírus.
Estes são os pontos de partida para um thriller viciante e arrebatador, que puxa os leitores para dentro da mente das diversas personagens, enquanto as acções se sucedem a um ritmo incontrolável. Com a sua já habitual mestria de escrita, Ken Follett transporta-nos para uma acção fulminante e, ao longo dos dois dias nos quais decorre a maioria da história, cada segundo conta para o desfecho final.
Num estilo bem diferente de "Os Pilares da Terra", "A Ameaça" mostra-nos o mestre na sua área mais explorada, e confirma aos seus leitores que, seja qual for o género em que escreve, Follett consegue criar um livro de impacto, original e cativante. Neste livro, apesar da imensidade de termos técnicos normalmente associados a laboratórios e investigação, o autor foge dos exageros de palavras desconhecidas e termos estranhos, para se concentrar naquilo que o leitor mais apreciará: os pensamentos e as emoções que reflectem cada acção e o sucessivo decorrer de acontecimentos inesperados.
Recomendo a todos os apreciadores de thriller e suspense. Para aqueles que se querem iniciar no género, também me parece uma boa escolha. Dentro do género, é um livro imperdível.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Outras Cores - Ensaios sobre a Vida, a Arte, os Livros e as Cidades (Orhan Pamuk)

Nunca tinha lido nada deste autor e, antes de pegar neste livro, de cariz menos ficcional, perguntava-me se seria a melhor escolha para começar. Terminadas as mais de 400 páginas que compõem este Outras Cores, contudo, não tenho a mínima dúvida de que este é um livro que conquista e que deixa vontade de ler muito mais.
Com uma maestria impressionante, combinada com uma atitude simples e honesta, Pamuk divaga sobre os mais diversos temas com tal perícia que é impossível não deixar o leitor a pensar sobre o assunto abordado. Quando fala nos terramotos que assolam a Turquia, sentimos o medo e a aura de tragédia que paira sobre o seu povo. Quando fala da tristeza da sua filha, fitando pensativamente o mundo, também nós conseguimos ver essa figura algures por perto. E quando disserta sobre os livros que o marcaram ou sobre o que o levou a escrever qualquer uma das suas obras, também nós temos vontade de desvendar os segredos desses livros.
Não saberia escolher, de entre todos os textos agrupados neste livro, qual o que mais se entranhou nos meus pensamentos. Não posso deixar de realçar, contudo, a triste beleza do conto "Olhar pela Janela", que, com os seus laivos de inocência e de tragédia, nos deixa antever a dimensão que, seguramente, se abrigará nas outras obras do escritor.
Um óptimo livro, sem dúvida, para divagar, para ler aos poucos, para saborear e aprender com cada uma das suas reflexões. Sem dúvida, um livro que nos cativa para o mundo do autor. Eu, por cá, fiquei com vontade de, à primeira oportunidade que surja, conhecer os seus romances.

sábado, 8 de agosto de 2009

Emmanuelle (Emmanuelle Arsan)

Antes de mais, devo dizer que este livro não se enquadra propriamente nos meus géneros de eleição, o que poderá ter influenciado de alguma forma menos positiva a minha opinião.
Ao longo das 200 páginas deste livro, todas elas livres de pudores ou quaisquer preconceitos, a autora conta-nos a viagem de Emmanuelle até à aprendizagem da sua sexualidade a um nível superior. E, neste percurso, não faltam encontros singulares e momentos de explícito erotismo.
O ponto fundamental deste livro é a sensualidade e penso que (talvez fosse esse o objectivo) a história divaga demasiado em torno de encontros que parecem irreais e que não servem senão como desculpa para que os seus protagonistas se envolvam numa relação sem outro objectivo que não o prazer. Ainda assim, quando a autora se afasta desses momentos, na longa conversa entre Mario e Emmanuelle, em que o mentor expõe à sua discípula as suas teorias sobre o erotismo, o livro deixa de ser apenas uma obra erótica para se tornar num tratado sobre as relações eróticas entre homens e mulheres.
Com uma escrita impecavelmente fluída e alguns pontos de interesse, este poderá ser um bom livro para os apreciadores da literatura erótica. Para mim... definitivamente não faz o meu género.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O Diário Perdido de Don Juan (Douglas Carlton Abrams)

Sob a forma de um diário curiosamente sincero, tendo em conta a personalidade que o protagoniza, este livro conta-nos a história de Don Juan, o lendário libertino. Há, contudo, neste livro, bem mais que uma boa história de aventuras e, ao longo das suas páginas, ficamos a conhecer uma alma muito para além do sedutor.
Com momentos de sensualidade fluentemente descritos, não é, ainda assim, esse o ponto mais marcante deste livro. Ao ouvir, pelas suas palavras, a história de um passado de criança orfã que foi ladrão e espia, para depois se tornar no fidalgo sedutor que, através do seu protector, gozava dos favores da realeza, é impossível não nos surpreendermos com os rasgos de nobreza e honra que a personagem demonstra. E, quando Don Juan parece esquercer a sua vida de sedução pelo estranho sentimento que hesita em reconhecer como amor, a força do seu coração e aquilo a que se dispõe por esses sentimentos são relatados de uma forma tão serenamente bela que é improssível não se ficar fascinado pela figura do protagonista e pela arte do autor que o desenvolveu de tal forma.
Preciso, envolvente e magistralmente escrito, este é um livro que não se deixa largar antes da última página. E, com todos os seus momentos de paixão, de amor e de sacrifício, este diário é, sem dúvida, um livro imperdível.