quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Novidade Bertrand


Nesta cativante prequela à série Roma Sub Rosa, Steven Saylor leva-nos de volta aos dias de juventude de Gordiano. 
Corre o  ano  de 92 a.C. e Gordiano acabou de fazer 18 anos e está prestes a embarcar na aventura de uma vida: uma longa viagem  para visitar as Sete Maravilhas do Mundo.  Gordiano ainda não recebeu o nome de  o Descobridor – mas, em cada uma das Sete Maravilhas, o jovem romano de olhos grandes encontra um mistério que desafia os seus poderes de dedução. 
A acompanhar Gordiano nas suas viagens está o seu tutor, Antípatro de Sídon, o poeta mais celebrado do mundo. 
Contudo, o velho poeta, ao que tudo indica inofensivo, é mais do que parece à primeira vista. Antes de partirem, Antípatro finge a própria morte e viaja sob uma identidade falsa. Em segundo plano, surgem os primeiros indícios de uma sublevação política que agitará todo o mundo romano. 
Professor e pupilo viajam pelas lendárias cidades da Grécia e da Ásia Menor, seguindo, depois, para a Babilónia e o Egito. Assistem aos Jogos Olímpicos, participam em festivais exóticos e maravilham-se com as mais espetaculares construções alguma vez concebidas pela humanidade.  No caminho, deparam-se com assassínios, magia e assombramentos fantasmagóricos. 

Steven Saylor é autor da aclamada série Roma SubRosa, que tem merecido os mais rasgados elogios da crítica. Os seus romances estão traduzidos em mais de dezoito línguas e o autor tem figurado, na sua qualidade de especialista na política e vida romana em geral, em documentários no Canal História. Saylor divide o seu tempo entre Berkeley, na Califórnia, e Austin, no Texas.

Novidade Quetzal


«É um livro, sim, sobre a perdição. Perdição entre outros livros, entre caminhos, colocando romances de outros autores em diálogo. Estão à espera de quê? Leiam.» -- Francisco José Viegas
«A realidade e a ficção constituem a matéria da Literatura e o autor explora aqui a ideia dessa grande viagem que a leitura – e a escrita – nos proporcionam.» -- Helena Vasconcelos
Este livro é uma travessia: entre o autor e as suas personagens, entre a realidade e a ficção e entre os mundos conhecidos e aqueles que se inventam e vivem apenas nos livros. Uma ponte entre todos os romances do mundo e a impossibilidade de escrever um romance. Uma viagem por África sem chegar a sair do sítio – sem lá ter ido ou atravessado as suas fronteiras. Uma homenagem à literatura, portanto, mas também uma reflexão sobre o mundo e as suas contradições.

Manuel Jorge Marmelo nasceu em 1971, no Porto. É jornalista desde 1989 e estreou-se na literatura em 1996 com o livro  O Homem Que Julgou Morrer de  Amor. Os mais de vinte títulos que tem publicados incluem romances, crónicas, livros infantis e contos. Conquistou, em 2005, o Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco com o livro O Silêncio de um Homem Só. É o autor de, entre outros, As Mulheres Deviam Vir com Livro de Instruções,  em breve disponível na Quetzal,  que já publicou  As Sereias do Mindelo, Uma Mentira Mil Vezes Repetida, O Amor É para os Parvos, Somos Todos um Bocado Ciganos e agora  Aonde o Vento Me Levar.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O Segredo dos Pássaros (Vítor Serpa)

Jane é uma enfermeira inglesa que, depois de casar com um homem de quem cuidou, se vê deslocada para longe da sua pátria e rodeada de miséria e de intrigas na comunidade inglesa das minas de S. Domingos. É aí que vê, pela primeira vez, António, um contrabandista, com amizades que desagradam ao regime e uma vida perigosa. Há algo que os atrai um para o outro, mas ambos sabem que a sua relação é impossível. Ainda assim, não conseguem evitar. E, enquanto se conhecem e se descobrem no amor, há uma guerra a decorrer por perto, a mesma que fez com que o irmão de Jane desaparecesse, a mesma que agita os ânimos dos amigos pouco recomendáveis de António. Ambos estarão, talvez sem saber, no centro de um mistério que intriga as autoridades dos dois países. E ambos observam, com mínima intervenção, a evolução da guerra e a tomada de partidos por parte de um país que se assume neutro, mas que parece ter favoritos.
Envolvente e com algumas interessantes peculiaridades no estilo de escrita, este é um livro que tem como mais cativante a capacidade de evocar empatia para com as personagens. Narrado quase totalmente na primeira pessoa, mas alternando entre a voz de Jane e a de António, cria, desde cedo, uma sensação de familiaridade relativamente aos protagonistas, quer pela forma aberta como estes dão voz aos seus pensamentos e emoções, quer pela forma como o seu carácter e a sua capacidade de reagir aos acontecimentos que os rodeiam se reflectem. Jane e António têm diferenças consideráveis entre eles, diferenças que se reflectem na forma como narram a sua história. Têm em comum, contudo, a intensidade emocional com que vivem as suas experiências e isso aproxima-os, mesmo quando as diferenças se tornam mais evidentes. Jane tem também um destinatário para a sua história - fala quase sempre com o irmão desaparecido - , enquanto António parece falar mais como quem narra as suas memórias, sem se dirigir a alguém em particular. Cria-se, assim, um interessante contraste entre as vozes dos dois protagonistas, tal como entre os mundos diferentes de que fazem parte.
Ainda que a ligação entre António e Jane seja, em grande medida, o centro da narrativa, importa referir uma contextualização completa e feita sempre de forma cativante. Há todo um retrato social a descobrir, feito tanto através dos contactos de Jane na comunidade inglesa como das relações de António com os seus amigos perigosos, e diz respeito não só ao contexto de guerra, mas principalmente à posição do regime português na época e às condições de vida daí resultantes. Disto resulta um equilíbrio muito bem conseguido entre as questões pessoais e o contexto global apresentados na narrativa, elevando-a a algo mais vasto que a simples história de amor, sem por isso lhe retirar a envolvência e a intensidade dos sentimentos.
Há ainda um elemento que surge, discretamente, ao longo de toda a história e que, nunca sendo objecto de grande destaque, acaba por ser um toque delicioso. Trata-se, é claro, das referências a O Corvo, de Edgar Allan Poe, e à forma como, evocado apenas muito ocasionalmente, acaba por ser uma das grandes presenças ao longo de todo o livro.
Escrito de forma cativante e com laivos quase poéticos, O Segredo dos Pássaros apresenta uma história que tem tanto de romance e de mistério como de retrato social de uma época. O mais marcante é, como não podia deixar de ser, a forma quase pessoal como reflecte as experiências e problemas das suas personagens. Mas, tanto sobre os protagonistas como sobre o contexto histórico,  há muito mais de interessante para descobrir. Muito, muito bom.

Novidade Europa-América


Título: Não Deixes Que Me Levem
Autora: Catherine Ryan Hyde
Colecção: Contemporânea
Preço: 22.26€
Pp.: 312

E se abandonar a sua mãe… for a única forma de a salvar?
«Lembras-te de me dizer que conseguirias sempre encontrar-me? Bem, nunca te esqueças disso. Por favor.»

GRACE
Grace é uma menina de dez anos que sabe que é amada pela mãe. Mas a mãe também ama as drogas. Grace não conseguirá evitar por muito mais tempo as ameaças da «senhora dos Serviços Sociais», que a quer colocar numa instituição. A sua única esperança é…
BILLY
Billy Shine é um adulto que não sai do seu apartamento há anos. Tem muito medo das pessoas. E assim, dia após dia, leva uma vida perfeitamente planificada e silenciosa dentro de sua casa. Até agora…
O PLANO
Grace invade a vida de Billy com uma voz bem alta e um plano para libertar a mãe daquele martírio. Mas não será fácil, pois para salvar a mãe terão de arrancar-lhe a única coisa de que ela realmente precisa: Grace.

Catherine Ryan Hyde é autora de vários best-sellers, entre os quais se destaca Favores em Cadeia, livro que contou com uma adaptação cinematográfica, protagonizada por Kevin Spacey e Helen Hunt. Depois de mais um sucesso com Coração em Segunda Mão, a autora deslumbra-nos agora com uma visão terna do amor e da humanidade que nos une, neste livro comovente.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Memórias de Adriano (Marguerite Yourcenar)

A viver os seus últimos dias e finalmente com tempo para considerar a vida e a forma como viveu, Adriano escreve para aquele que, espera, ocupará um dia o seu lugar. E recorda. Recorda as suas batalhas e as intrigas tecidas em seu redor, aqueles que amou e os que o desprezaram. Recorda, acima de tudo, o que foi, o que quis ser e o que viram dele. É esse longo registo de memórias o que este livro apresenta. E, com elas, mais que um retrato do império e do seu imperador, é a figura do homem que se torna mais visível.
Denso, divagativo e com uma forte componente descritiva, este não é nem um livro fácil de seguir nem uma leitura rápida. Todos os eventos são narrados do ponto de vista do homem que recorda, e, como tal, é através dos olhos dele que todos os protagonistas dos acontecimentos são caracterizados, o que cria uma impressão de distância. Além disso, basta um pequeno gesto para inspirar uma longa reflexão, filosófica ou emocional. Os pensamentos têm, portanto, tanto ou mais protagonismo que as acções, o que não deixa de ser surpreendente num livro cujo narrador se apresenta mais como homem de acção.
Trata-se, portanto, de um livro que exige atenção constante, quer pelos muitos pormenores relativos à época histórica e às figuras que a povoam, quer, e principalmente, pela forma como a vida de Adriano se entrelaça na sua forma de pensar. O resultado é um livro de ritmo pausado, claro, com uma linha narrativa que se dispersa um pouco nas longas divagações, mas que surpreende principalmente pelo retrato complexo do imperador que recorda.
E é neste ponto que importa referir o grande ponto forte deste livro: a beleza da escrita. Tanto nas longas reflexões como nos momentos mais descritivos, o que mais sobressai ao longo da leitura é a harmonia das frases, a forma como as palavras evocam, da forma mais adequada, os sentimentos e as impressões do imperador. Isto é, naturalmente, mais evidente no presente, quando Adriano se encontra face a um fim próximo, mas prevalece ao longo de todo o livro, tanto na forma como questiona as suas decisões ou avalia o que fez pelo império como na inesperada intensidade da sua recordação de Antínoo e do que os unia.
Não é, de forma alguma, uma leitura compulsiva e, com a profundidade e a complexidade da forma como pondera sobre a mortalidade e a passagem do tempo, será tudo, menos um livro leve. Há, ainda assim, muito de fascinante nestas Memórias de Adriano, em parte devido ao retrato preciso e completo que traça para o seu protagonista, mas principalmente pela quase poesia de uma escrita que tanto encanta pela beleza como apela à reflexão. Trata-se, por tudo isto, de um livro a ser apreciado com calma, pois exige a máxima atenção. Mas é também tudo isto que faz com que valha a pena.

Vencedor do passatempo Estrada Vermelha, Estrada de Sangue

Chegados ao fim de mais um passatempo, é, como habitual, altura de anunciar o vencedor. Desta vez, o total de participações foi de 118. Obrigada a  todos os que enviaram as suas respostas.

E o vencedor é...

88. Alice Rodrigues (Elvas)

Parabéns e boas leituras!

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Maximum Ride - O Resgate de Angel (James Patterson)

Maximum Ride - ou simplesmente Max - é a líder de um grupo de crianças geneticamente alteradas que são capazes de voar. Há quatro anos, fugiram da Escola - um laboratório onde eram realizadas estranhas experiências - e viveram uma existência discreta. Mas a Escola ainda tem planos para ele, como se torna evidente quando um grupo de Erasers chega e leva Angel, a mais pequena do grupo. Max e os seus companheiros não hesitam. Cientes do tipo de prisão que é a Escola, e do tipo de testes a que foram sujeitos, sabem que têm de resgatar Angel o mais depressa possível. Mas não é assim tão simples. Os Erasers são mais e mais fortes. E, como se não bastasse, a tentativa de resgate é apenas o início e há revelações inesperadas a surgir a cada passo. Não há tempo para parar nem para pensar. Mas como lidar com todas as mudanças, quando não há certezas sobre ninguém, nem mesmo Max?
O grande ponto forte deste livro é, sem dúvida, o ritmo viciante. Capítulos curtos, acção constante e uma série de mudanças surpreendentes mantêm viva a curiosidade em saber mais e a escrita acessível, sem grandes elaborações, contribui também para a intensidade quase compulsiva do enredo. Isto faz com que, mesmo na fase inicial, em que a escrita simples e a escassa descrição deixam a impressão de que mais poderia ter sido explorado a nível de contexto, a história nunca perca a envolvência, mantendo-se sempre a vontade em saber o que virá a seguir. A história não é particularmente complexa e é a acção o centro da narrativa, mas a tensão evidente em toda a linha de história - ou não estivessem os protagonistas em fuga - confere à história uma intensidade estranhamente cativante.
Sendo a descrição uma componente discreta em todo o livro, a caracterização surge, inevitavelmente, de forma gradual, e isto ocorre tanto com as personagens como com as experiências que lhes deram origem. Resulta, talvez, daí a impressão inicial de estranheza, já que as características do sistema (a Escola, as suas condições e as experiências aí realizadas) e das personagens (com os dons que conhecem e desconhecem, as suas origens e o caminho que os levou às circunstâncias em que se encontram) surgem aos poucos, na medida em que são necessárias. Mas há também um lado positivo para tudo isto e esse é que a revelação gradual dos pontos mais relevantes torna a história mais intrigante e dando intensidade aos momentos em que surge a revelação.
Quanto às personagens, também a caracterização é gradual, daí que surja, inicialmente, a mesma estranheza que relativamente ao sistema. Uma vez assimilados os seus traços essenciais, contudo, e adquirida uma certa familiaridade, são as suas características mais cativantes que se revelam, despertando uma empatia que cresce também pela situação vulnerável em que se encontram. São figuras fortes, quando é preciso, mas são também miúdos, e os momentos de fragilidade servem para recordar isso de forma bastante marcante.
Com uma escrita simples e uma história envolvente, este é um livro que cativa, inicialmente, pelo ritmo de acção compulsiva, mas que, aos poucos, vai revelando outras características interessantes, tanto sobre as personagens como sobre o enredo. Ficam, naturalmente, muitas perguntas sem resposta, mas fica também muita curiosidade em ler o próximo volume. Um bom ponto de partida, portanto. Gostei.