terça-feira, 30 de junho de 2020

Voar Depois de Cair (Isabel Baía Marques)

Entregar o coração a alguém pode ser uma das coisas mais assustadoras da vida, principalmente para quem já o fez algumas vezes e... correu mal. Mas há formas de mudar o caminho previsível, olhando um bocadinho mais para nós antes de mergulharmos de cabeça, aprendendo a dar e a receber com conta, peso e medida, a persistir - e a desistir quando a situação é um caso perdido - e a abrir novamente as asas depois de uma grande queda. É sobre todas estas coisas e sobre as relações - com os outros e com a nossa própria consciência - que este livro fala.
Uma das primeiras coisas a chamar a atenção para este livro é o impacto visual. Sendo escrito em forma poética, embora num registo muito simples, cedo se torna evidente que os desenhos simples das páginas vêm reforçar a impressão de proximidade emocional que vem das palavras. Não é nem pretende ser um diário, mas esta conjugação de texto e imagem dão-lhe, até certo ponto, um aspecto de um, o que contribui para a impressão de uma leitura intimista, algures entre o conselho e a confidência sobre os assuntos do coração.
Outro aspecto a salientar é que não se destina necessariamente a ser lido de forma sequencial. Pode fazer-se, é certo, e isso não retira nenhuma da relevância às ideias, ainda que uma leitura consecutiva possa deixar, por vezes, a sensação de uma ligeira repetição. Mas, lido da forma como a autora sugere, abrindo-o ao acaso e lendo as mensagens, pode funcionar como um pequeno conselheiro, como uma presença que desafia e - até certo ponto - orienta. Como um guia silencioso, mas muito eloquente, para as relações com os outros e connosco.
E é um livro muito próximo, pois a simplicidade das palavras, associada ao simples facto de terem como tema as relações, confere uma estranha afectuosidade. Funciona quase como a voz de uma amiga que ouve os desabafos e depois aconselha. Claro que cada um tem a sua história e o que é válido para alguns não o será para outros. Mas há coisas que são tão simples e que parecem tão evidentes que acabam por surgir como uma surpresa, ao estilo "como é que eu nunca pensei nisso?"
Visualmente encantador e com um registo que equilibra de forma eficaz a simplicidade das palavras e a precisão dos conselhos, trata-se, pois, de um livro que, mais do que de leitura única, apela a múltiplos regressos. Afinal, as grandes verdades escondem-se, por vezes, nas pequenas coisas. E material para reflexão é algo que não falta ao longo destas páginas...

Autora: Isabel Baía Marques
Origem: Recebido para crítica

segunda-feira, 29 de junho de 2020

O Silêncio das Mulheres (Pat Barker)

Pode ter começado devido a uma mulher, mas os protagonistas das narrativas da guerra de Tróia sempre foram homens: Odisseu, Ájax, Príamo, Agamémnon... Aquiles. E a história é, ainda e sempre, a de Aquiles, mas não só. Briseida, a mulher que dá voz a este livro, começou como uma criança do seu tempo, ascendeu a rainha num casamento infeliz e viria a desabar com fúria ante a tomada da sua cidade, reduzida à condição de escrava e prémio de Aquiles. Mas, num tempo em que "o silêncio assenta bem às mulheres", as histórias para contar partilham-se nas sombras. E, da sua posição discreta, Briseida vê os conflitos dos homens, a crueldade dos homens, a brutalidade da guerra... e o seu coração cheio de ódio transforma-se também em algo diferente...
É difícil escolher um ponto para começar a falar sobre este livro, pois todo ele forma uma unidade perfeita. Mas talvez importe realçar, acima de tudo, a escrita e a forma como a autora confere à sua protagonista uma voz tão eficaz na melancolia poética como na descrição certeira dos acontecimentos mais brutais. Tudo parece ter o encadeamento certo: os grandes momentos de conflito, os rasgos de emotividade, a inevitável análise que Briseida faz das suas circunstâncias e daquilo que a rodeia e ainda as frases memoráveis que tornam a longínqua guerra de Tróia num acontecimento tão real como actual. É como estar lá com ela. É sentir tudo com ela. E que mais se pode pedir a um livro que tão facilmente nos transporta para o seu interior?
Outro aspecto que sobressai é que, embora grande parte das personagens deste livro sejam sobejamente conhecidas - ou não fosse esta uma reconstrução da Ilíada - a visão com que ficamos é, ao mesmo tempo, familiar e diferente. Familiar, pois os pontos essenciais continuam presentes em toda a sua força. Diferente, porque são vistos de outra perspectiva e complementados por toda uma história oculta das figuras invisíveis da história. É uma história conhecida... até certo ponto. Mas tem também muito de novo.
É, contudo, na complexidade das emoções que está a derradeira força desta história. É fácil, desde o início, sentir empatia pela mulher encurralada numa cidade em vias de cair, tendo pela frente apenas duas perspectivas: morte ou escravidão. Mas, com o desenrolar dos acontecimentos, tudo se aprofunda e expande para uma maior - e mais impressionante - ambiguidade. Troiana escrava de gregos, Briseida conhece bem o ódio e a impotência, mas as relações que vai estabelecendo envolvem esses sentimentos numa camada de outras emoções mais complexas. Além disso, é particularmente brilhante a forma como esta ambiguidade é transposta para a caracterização dos grandes heróis. Embora escrava de Aquiles, Briseida vê-o como mais do que o homem cruel que lhe matou a família e a escravizou - sendo certo, porém, que nunca deixa de ver essa faceta. E assim, tudo avança num equilíbrio delicado, onde ódio, afeição e algo de intangível algures no meio se entrelaçam numa teia comovente.
Maravilhosamente escrito, fortíssimo na construção dos cenários e da teia de ligações entre as personagens, surpreendentemente emotivo e repleto de pormenores deliciosos, eis, pois, uma narrativa à altura da história intemporal que lhe serviu de base. Intenso, fascinante e belíssimo em todos os aspectos, um livro que é simultaneamente uma visão nova da história da guerra de Tróia... e todo um tratado sobre a complexidade humana.

Autora: Pat Barker
Origem: Recebido para crítica

domingo, 28 de junho de 2020

Dezanove Minutos (Jodi Picoult)

Desde o seu primeiro dia de escola que Peter foi vítima dos ataques e provocações dos colegas, mas sempre contou com a sua única amiga, Josie Cormier, para atenuar um pouco o impacto. Mas o tempo passou e a amizade esbateu-se. Josie passou para o "outro lado" e Peter ficou mais sozinho do que nunca. E seria esse o princípio de um acto que abalaria a comunidade para sempre. Aos dezassete anos, Peter Houghton escolheria uma manhã de Março para pegar em quatro armas, entrar na sua escola... e começar a disparar. E esses dezanove minutos... mudariam tudo para todos.
Parte do que torna este livro tão memorável é a capacidade da autora de abordar um tema sério e globalmente relevante através da visão íntima e pessoal das suas personagens. Já todos ouvimos as histórias reais de tiroteios em contexto escolar e a forma como a autora parte deste cenário para construir a história dos seus protagonistas é particularmente equilibrada. E, assim, o resultado é uma leitura que, ao mesmo tempo que apela à reflexão sobre questões como o bullying, a facilidade de acesso às armas e o tipo de perturbação que pode desencadear acontecimentos destes, traça um percurso complexo, profundo e emotivo para as várias personagens que povoam esta história.
Esta complexidade não se resume ao tema, estando também bem presente na vida e no pensamento das várias personagens. Claro que grande parte do foco está nas vidas de Peter e Josie. Peter, atormentado pelo bullying constante, bem como pela sombra do irmão aparentemente perfeito, refugiando-se no seu mundo e no afecto imperecível por Josie para continuar a aguentar-se até à derradeira humilhação. Josie, disposta a fazer tudo para se tornar popular, até a deixar-se prender numa relação abusiva. E as suas famílias também. É aqui que a forma como a história é contada se torna também particularmente relevante, pois ao oscilar entre o que aconteceu antes do tiroteio e tudo o que veio depois, a autora traça o percurso das personagens não só no que conduziu àquele momento, mas também ao impacto que ele teve nas suas relações e estabilidade mental.
Há ainda um outro ponto que importa destacar, e que é também um factor de profundidade: a capacidade de despertar sentimentos complexos por todos os envolvidos. Seria fácil mostrar Peter como apenas o monstro que matou vários colegas, mas a autora constrói para ele uma história bastante mais vasta. Da mesma forma, a história da relação de Josie com o namorado mostra que também algumas das vítimas escondiam certas ambiguidades morais. E, tendo em conta o grande mistério que é revelado no final - e que vem acrescentar também um poderoso factor surpresa - esta ambiguidade e complexidade vem tornar toda a história muito mais intensa e surpreendente.
Poderoso nos temas, profundo na abordagem e cheio de intensidade e emoção ao longo de todo o percurso, trata-se, pois, de um livro que, apesar de relativamente extenso, nunca perde a força nem a envolvência. Dezanove minutos e o abalar de vidas inteiras... num equilíbrio perfeito e memorável.

Autora: Jodi Picoult
Origem: Recebido para crítica

sexta-feira, 26 de junho de 2020

O Livro da Sabedoria (Kahlil Gibran)

A sabedoria manifesta-se de muitas formas e em muitos contextos: em solidão ou comunidade, na vida particular ou em posições de poder. Mas o que é a sabedoria? Muitas serão também as definições e os aspectos em que é demonstrada. Este livro reflecte alguns deles, de uma forma que é simultaneamente poética e avassaladoramente simples.
Uma das primeiras coisas que importa referir sobre esta edição é que conjuga textos de várias obras do autor a fim de criar uma visão global e comum da sabedoria nas suas diversas vertentes. Uma das primeiras impressões é, pois, naturalmente a vontade de ler as obras de onde estes textos foram coligidos. Mas há também uma outra percepção notável: a de que, embora com origem em diferentes pontos, o conjunto destes textos compõe um todo coeso, com uma estrutura eficaz e uma visão tão precisa como abrangente do que é - e de que rostos adopta - a sabedoria.
Outro aspecto que fica na retina é a diversidade de formatos, que vão do mais breve aforismo a alguns relatos mais extensos, sem que jamais deixe de se notar a sensação de pertença. Podem não ter todos a mesma origem, mas todos os textos fazem sentido neste livro. Além disso, esta diversidade permite também apelar a sensações diferentes. Jesus pode ser uma figura em destaque em vários dos textos, mas a visão global é igualmente apelativa para crentes e não crentes. Até porque a sabedoria deste livro é bem mais espiritual do que dogmática.
Importa, por último, realçar a organização, sobretudo pela forma como reflecte as diferentes vertentes em que a sabedoria é mais necessária, permitindo, através dos vários textos, ficar com uma visão mais ampla (ainda que quase sempre concisa), mas também porque torna muito mais fácil, numa segunda leitura, ir em busca de um tema ou texto específicos. Não faltam ideias e frases memoráveis neste pequeno livro, por isto esta facilidade em regressar aos pontos que mais marcaram é também em si mesma um ponto forte.
O que fica deste livro é, pois, uma impressão contrastante: uma leitura que é simultaneamente leve e surpreendentemente profunda, espiritual, mas também bastante pragmática e com um equilíbrio muito eficaz entre a individualidade de cada texto e a coesão do todo. Simples quanto baste, mas  muito cativante, uma boa leitura, em suma.

Autor: Kahlil Gibran
Origem: Recebido para crítica

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Poção Venenosa (Linda Chapman)

Ionie, Maia, Lottie e Sita sabem que anda alguém a fazer magia negra no bosque e a destruir a clareira, mas ainda não conseguiram descobrir quem é. Sabem que usar a magia para o bem atenua um pouco os efeitos da magia negra, mas isso não basta. E, quando os adultos começam a comportar-se como adolescentes, cedo se torna óbvio que algo de estranho se passa... principalmente porque Maia viu a sua misteriosa adversária a preparar uma poção na clareira, o que significa que tudo parece estar ligado.
Parte do que torna estas aventuras tão cativantes é a sua grande medida de inocência, entrelaçada com uma forte mensagem de amizade. Todo o percurso está envolto em ternura, tanto na relação das quatro amigas com os seus animais como na visão de uma magia que, usada para o bem, regenera o mundo. Se juntarmos a isto o contraste entre a magia benévola das personagens e os efeitos da magia negra, o resultado é uma história de base muito positiva e com uma boa visão da eterna luta entre o bem e o mal.
Sendo a linha que separa os dois lados bastante linear é, naturalmente, inevitável que certos aspectos sejam relativamente previsíveis, principalmente o fim. Mas, sendo certo que, de uma luta do bem contra o mal se espera sempre que seja o bem a vencer, já os caminhos até lá podem ser muito diferentes. E é precisamente isso que acontece nesta história: parte da resolução pode ser previsível, mas o caminho até lá está cheio de momentos empolgantes, de episódios divertidos e de uma ternura que nunca desaparece das páginas destas histórias.
E importa, como de costume, fazer ainda uma breve referência às ilustrações, que, relativamente simples, mas também muito expressivas, dão mais vida a uma história que é por si só muito cativante. Além, claro, de tornarem o livro mais bonito, o que é também sempre um ponto positivo.
A imagem que fica é, pois, a da já habitual história leve e cativante, em que magia e amizade convergem para formar um todo poderoso. Simples quanto baste, mas muito agradável e cheia de ternura, uma boa leitura para os mais novos e não só.

Autora: Linda Chapman
Origem: Aquisição pessoal

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Ms. Marvel, Vol. 4 - Os Últimos Dias (G. Willow Wilson e Adrian Alphona)

Kamala pode ter uma vida normal muito estrita, mas, quando veste o fato de Ms. Marvel, a cidade é o seu domínio. E a sua presença é mais necessária que nunca. A sua mais recente paixoneta revelou ser um dos lacaios de um super-vilão e, após ter sido rejeitado por Kamala, voltou agora as suas atenções para a sua família. Mas, como se não bastasse essa preocupação, algo se passa na cidade - e tem todo o aspecto de ser o fim do mundo. Felizmente, desta vez Kamala tem reforços. E nada mais nada menos que a "mais-que-fixe" Carol Danvers... também conhecida como Capitã Marvel.
Um dos aspectos mais cativantes de Kamala enquanto super-heroína é o facto de, em parte devido à idade, em parte devido à novidade dos seus poderes, estar muito longe de ser uma figura perfeita. Tem poderes fantásticos, o coração no sítio certo e coragem para dar e vender... mas também tem dúvidas, vulnerabilidades e um coração partido. Ora, o que isto significa é que, com super-poderes ou sem eles, Kamala é uma personagem surpreendentemente humana, o que se torna particularmente evidente neste volume, já que, ante a iminência de um possível fim do mundo, as relações pessoais acabam por assumir um papel muito importante.
Mas desengane-se quem pensa que a história é mais parada ou introspectiva. Muito pelo contrário. À inevitável introspecção - com todas as descobertas pessoais associadas - junta-se um conjunto de cenas de acção muitíssimo intensas, cheias de movimento e de intriga (ainda que sem todas as respostas) e com o habitual sentido de humor a que Kamala já nos habituou. Além disso, o contraste entre estas duas facetas torna-se particularmente evidente a nível visual, com a expressividade dos rostos, sobretudo nos planos mais próximos, a contrastar com o caos mais ou menos generalizado (e cheio de pormenores) que se espera da omnipresente ameaça de um apocalipse.
É sobre este fim do mundo que ficam algumas questões em aberto, sendo um daqueles casos em que provavelmente um conhecimento mais aprofundado deste(s) universo(s) poderá facilitar a compreensão. Ainda assim, é interessante notar que, embora sem grandes explicações sobre o que se passa, a forma como essa linha da história termina é surpreendentemente adequada. A grande força de Kamala enquanto super-heroína é precisamente a sua humanidade - e, assim sendo, faz todo o sentido aquele momento final.
Acção e intensidade contrastam, pois, com a vulnerabilidade e a relativa inocência da protagonista para criar uma história que, entre o global e o individual, nunca deixa de ser cativante: uma história de heróis, vilões e apocalipses... e de uma rapariga normal - bem, mais ou menos - a tentar fazer o que está certo.

Autores: G. Willow Wilson e Adrian Alphona
Origem: Recebido para crítica

terça-feira, 23 de junho de 2020

Diário da Coreia do Norte (Michael Palin)

Considerado o país mais fechado do mundo, embora frequentemente referido nas notícias devido aos focos de tensão e aos avanços e recuos ao nível da política externa, a Coreia do Norte é um país acessível aos olhos de muito poucos. E mesmo aqueles que têm a oportunidade de o visitar vêem-se limitados naquilo que lhes é permitido ver. Este livro traça o relato de uma viagem improvável, sobretudo por estar associada à produção de um programa, mas que permite ficar com uma visão bem diferente do chamado Reino Eremita.
Uma das primeiras coisas a chamar a atenção ao primeiro contacto com este livro é a abundância de fotografias. Particularmente relevantes tendo em conta que não se trata propriamente de um destino turístico de massas, permitem, desde logo, ficar com uma ideia visual bastante clara do que é a Coreia do Norte, não só em termos de monumentos, mas sobretudo de paisagens. Além disso, as fotografias não se cingem aos cenários, mostrando também os rostos de algumas das pessoas com quem o autor se cruzou. Isto é particularmente interessante se tivermos em conta que, ao longo de todo o texto, é realçado o facto de todos os contactos necessitarem de obter algum tipo de aprovação.
Esta expressividade visual tem também o dom de complementar na perfeição um texto cujo registo é não só bastante sucinto como também bastante pessoal. Chama-se Diário da Coreia do Norte e é, acima de tudo, disso que se trata: das percepções do autor ao longo do percurso, dos processos da gravação, das peripécias mais particulares da viagem e das impressões pessoais que vai formando. Não há, pois, longas descrições, ainda que surjam quando necessário - e esta percepção pessoal aproxima-nos mais do papel do viajante.
Fica ainda uma impressão curiosa, pois, desde o início ao fim do percurso, é frequentemente realçado o facto de haver um controlo do que é visto e filmado. É, por isso, particularmente notável que, apesar das restrições, o autor descreva a criação de uma relação de descontracção e proximidade com os seus guias. Além disso, o capítulo final dedicado à viagem de reconhecimento permite entender uma definição de limites que é bastante menos rígida do que se poderia imaginar.
A impressão que fica é, pois, a de uma viagem surpreendente aberta - ainda que com os seus limites, naturalmente - a um país que é conhecido por ser fechado. Uma viagem de trabalho, mas cheia de percepções pessoais, e que permite ficar com uma imagem bastante nítida de um local muito difícil de se visitar. Vale a pena fazer esta viagem - ainda que apenas nas páginas deste livro.

Autor: Michael Palin
Origem: Recebido para crítica