segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Novidade Porto Editora


Berlim, 1934. Os nazis garantiram a realização dos Jogos Olímpicos de 1936, mas enfrentam grande resistência estrangeira. Hitler e Avery Brundage, o presidente do Comité Olímpico dos Estados Unidos, tudo fazem para tentar encobrir o antissemitismo nazi e assim convencer a América a participar nos Jogos. Bernie Gunther, agora detective num dos hotéis mais conceituados de Berlim, vê-se arrastado para este mundo de corrupção internacional, enredado entre as várias facções do aparelho nazi.
Havana, 1954. Fulgencio Batista, apoiado pela CIA, acabou de subir ao poder. Fidel Castro foi preso e a Máfia americana ganha poder sobre a indústria do jogo e da prostituição. Bernie, recentemente expulso de Buenos Aires, reemerge em Cuba com uma nova identidade, decidido a levar uma vida de relativa paz. No entanto, quando se depara com duas figuras do passado - um pérfido assassino dos tempos de Berlim, que pouco depois é misteriosamente assassinado, e uma antiga amante que, ao que tudo indica, poderá ser a responsável pelo crime -, percebe que não tem como lhe fugir.

Philip Kerr nasceu em Edimburgo em 1956 e estudou Direito na Universidade de Birmingham. Colabora assiduamente em publicações como o Sunday Times, o Evening Standard e o New Statesman. Para além dos catorze romances publicados, escreveu uma série de livros juvenis com o pseudónimo de P. B. Kerr. Traduzido em 25 idiomas, galardoado com inúmeros prémios importantes e com várias obras adaptadas ao cinema e à televisão, Philip Kerr é um dos nomes mais consagrados do policial inglês. Este seu romance mereceu o Prémio Internacional de Novela Negra RBA, o Ellis Peters Historical Dagger, da Crime Writers’ Association, e o Barry Award. No catálogo da Porto Editora figura já  O Projecto Janus, outro livro protagonizado pelo detective Bernie Gunther.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Herança de Traição (J.F. Subtil)

João Fernando é o mais novo dos filhos de uma família rica, na Golegã. O mais sensato dos irmãos, e também aquele que mais se preocupa com o futuro da herdade, é visto, por muitos, como quem deveria receber a herança, mas a probabilidade de que isso aconteça é escassa. Assim, João decide abrir o seu escritório e exercer a profissão para que estudou. Mas a sua vida começa a mudar no momento em que vê Rosa, uma das trabalhadoras da quinta, pela primeira vez. Há algo de forte a nascer entre ambos e não basta o facto de virem de mundos diferentes para o deter. Mas, entre as futilidades e intrigas dos da sua classe, há também planos mais novos a surgir. E o amor de João e Rosa será duramente testado pelas críticas e planos da sociedade.
Com uma boa história, que começa de forma algo dispersa, mas que cresce em intensidade com o surgir dos dramas pessoais das principais personagens e o avolumar das dificuldades e intrigas que se lhe opõem, este livro tem na construção do enredo o seu principal ponto de interesse. A partir do momento em que se tornam familiares, as personagens são bastante interessantes e o ambiente de intriga no seio da família, associado à maledicência geral da sociedade, cria várias boas situações de tensão e alguns momentos dramáticos que contribuem para criar alguma ligação emocional. Além disso, a história serve de base a algumas questões relevantes, quer a nível de preconceitos quanto a diferentes classes sociais, quer ainda a situações como a violência doméstica, a elevação do interesse pessoal acima de tudo o resto e alguma tendência para intrigar sobre a vida alheia. Reúnem-se, assim, vários elementos interessantes e, apesar de uma certa estranheza inicial, resultante dos muitos nomes presentes e de alguma demora em definir os objectivos dos protagonistas, a história cedo se torna cativante.
Há, ainda assim, algumas fragilidades consideráveis. Os nomes longos das personagens, algumas das quais são tratadas por diferentes nomes consoante a circunstância, criam alguma confusão e há elementos do enredo - como o que diz respeito ao crime, por exemplo - que são explorados de forma demasiado sucinta. Ainda assim, o grande problema está na evidente falta de uma revisão cuidada. Trocas de nomes, gralhas e erros, ortográficos e de concordância, surgem com frequência ao longo do texto, o que, em conjunto com várias frases confusas ou com palavras em falta, prejudica gravemente o ritmo de leitura. O resultado é uma inevitável quebra na envolvência do enredo, já que são falhas facilmente detectáveis.
Trata-se, pois, de uma boa história, com uma ideia interessante e um agradável crescendo emocional, mas em que grande parte do impacto se perde pela dificuldade em afastar da memória os erros que vão surgindo. E é pena, porque há muito potencial no enredo e nas questões que levanta. 

sábado, 12 de janeiro de 2013

O Último Dia de um Amor Eterno (Francisco Goldman)

Durante dois anos, Francisco e Aura viveram um amor quase perfeito. Apesar da diferença de idades, da oposição de alguns familiares e das suas diferenças de temperamento, conseguiram começar a construir uma vida juntos. Depois, um acidente na praia levou à morte de Aura. E Francisco teve de encontrar uma forma de lidar com a dor. Acusado pela família de Aura de ser o responsável pela sua morte e sentindo-se, ele próprio, culpado em certa medida, Francisco revisita as memórias que tem da sua jovem esposa para lidar com a sua perda. Este livro mostra a viagem através dessas memórias.
História de amor e de perda, e da capacidade de resistir e reagir depois dessa perda, este é, naturalmente, um livro muito pessoal. Assim, as emoções são o elemento determinante e o que marca até a mais simples das recordações do autor. Na história contada neste livro, Aura está em toda a parte, vista essencialmente pelos olhos de Francisco, mas também na percepção que tinha de si mesma, através da sua escrita. E este é um dos aspectos mais interessantes deste livro. O retrato que é criado para Aura não apresenta apenas a mulher, vista pelo marido, pelo que este vê da família, pelos traços que definem as suas acções. Mostra também a jovem escritora, com todas as esperanças e vulnerabilidades, com o coração cheio de sonhos e susceptível às frustrações. É fácil compreender essa Aura - a escritora e a mulher - e ver a percepção que o marido tinha dela é, por vezes, enternecedor.
A narração é construída ao ritmo da memória. Não há, assim, uma sequência linear de acontecimentos. Os momentos e as recordações parecem ser evocados à medida que surgem no pensamento do autor e, por isso, há fragmentos de episódios que são repetidos e pequenas coisas que levam a uma certa dispersão por diferentes memórias. Isto torna a leitura mais pausada, é certo, mas, por outro lado, parece a forma mais adequada de contar esta história. É fácil ver o sentimento de perda, não só no que é dito, mas na forma como é dito, evitando, por vezes, os momentos mais dolorosos, para serem contado apenas quando é preciso. E, assim, a dor da perda e o seu processo de relativa recuperação,  incluindo os momentos em que esta parece improvável, reflectem-se de igual forma nos momentos vividos e na organização de memórias que, com o evoluir da sua exposição, parecem revelar uma serenidade crescente.
Não é uma leitura fácil. Quer pela necessidade de seguir o autor através dos avanços e recuos de uma memória perturbada pela dor, quer ainda - e, talvez, principalmente - pela forma como a sua história reflecte pensamentos sobre a mortalidade e a capacidade de reagir à perda de quem nos é mais próximo, este é um livro que evoca questões difíceis e emoções poderosas. Há, ainda assim, algo que prevalece da tristeza com que esta história é narrada: a dor da perda está associada a um amor que se lê até nos mais simples gestos das memórias do autor. E também isso comove neste livro.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Trëma


Estreia de um projecto ambicioso - como evidencia o breve, mas objectivo Editorial - este primeiro volume da Trëma promete vários conteúdos interessantes. E cumpre. Relativamente breve, mas diversificado em conteúdos, esta pequena antologia tem muito de bom para descobrir. E é essa diversidade o seu grande trunfo. Mas vamos por partes.
Depois do já referido editorial e de uma breve nota sobre o artista de capa, em que, mesmo sentindo a falta da cor para apreciar completamente as ilustrações, é fácil reconhecer beleza e qualidade no trabalho, surge um primeiro conto. Em O Vigésimo Oitavo Dia, de Maria Amaral Ribeiro, círculos traçados numa árvore e uma percepção algo diferente das mudanças do corpo feminino servem de base a um conto pausado e descritivo, mas que cativa pelo retrato muito próximo de uma forma de vida comum a tempos ou lugares não muito distantes.
Em Sobre a Trëma, e sobre escritores e edição, Rogério Ribeiro parte da criação deste projecto para uma análise sucinta, mas que toca vários pontos pertinentes, de muitas das questões essenciais da publicação. O tema é praticamente inesgotável, tal como o são as opiniões sobre o assunto, mas a perspectiva apresentada é bastante esclarecedora. E, ainda no mesmo contexto, surge Como caçar uma vanity press, de Ana Ferreira, um texto que, apesar de bastante breve (também sobre este tema haveria muito para dizer), toca, sem dúvida, os pontos essenciais.
O Cais do Poeta, de Carina R. Portugal, conta a história de um mendigo e dos seus amigos poetas. Bastante descritivo, mas com uma escrita poética, cativa pelo retrato impressionante do quotidiano do mendigo e da sua relação enternecedora com os tais poetas. Melancólica, mas de uma beleza envolvente e com um final marcante, uma história comovente.
Espaços virtuais, espaços pictóricos, espaços ficcionais, de Artur Coelho, apresenta uma interessante perspectiva das técnicas de criação de mundos imaginários nas artes visuais, através do tempo e considerando relações com algumas obras de ficção científica. Relativamente breve, mas bastante esclarecedor, fica, apenas, a impressão de que parte da relação entre texto e imagens se perde por estas serem pequenas e a preto e branco.
Segue-se A bela adormecida do Mosela, de Rui Ângelo Araújo, história de como os planos do protagonista para uma boa bebedeira dão lugar a uma série de acontecimentos estranhos. Improvável nos acontecimentos e com um toque de surreal na forma como o ambiente se altera, trata-se, ainda assim, de um conto estranhamente cativante, quer pela peculiaridade da situação, quer pela escrita fluída e agradável.
O Sofisma da "Ficção de Género", de João Campos, aborda uma outra questão inesgotável e sempre pertinente: a tendência para menorizar géneros literários. Um artigo fundamentado, bem escrito e que resume de forma brilhante as questões essenciais desta discussão.
Na Crista da Onda, de Luís Filipe Silva, apresenta uma aventura espacial particularmente perigosa. Bem escrito e interessante, trata-se, também, de uma boa história, ainda que fique a ideia de que mais poderia ser dado a conhecer sobre as personagens, para lá da situação em que se envolveram.
Segue-se a Entrevista a Ivor Hartmann, que, curiosamente, não segue o expectável formato de pergunta e resposta, não deixando por isso de ser muito interessante na apresentação que faz dos projectos, e também das ideias, do entrevistado.
Por último, surge a crítica de Andreia Torres, ao livro Margarita e o Mestre, numa visão sucinta e esclarecedora, capaz de despertar a curiosidade de quem (como eu) ainda não teve a oportunidade de ler o livro.
Tudo somado, a ideia que fica é a de um projecto promissor, com conteúdos interessantes, tanto a nível de contos como de artigos. A nível visual, a letra pequena dificulta um pouco a leitura, é certo, mas nada que o conteúdo não compense. Uma boa estreia, portanto, e um projecto a seguir.

Novidade Sextante


É este um romance luminoso, em que a história contemporânea de Timor-Leste se transforma e resplandece no transbordante prazer de contar histórias. Histórias todas elas pontuadas por movimentos de navios: o Arbiru, que desapareceu um belo dia, o  Lusitânia Expresso, que nunca pôde trazer o auxílio português, e a nau Vitória, que aportou em Timor e na qual viajava António Pigafetta, o cronista da primeira viagem de circum-navegação. E todas elas são contadas e reinventadas pela voz da narradora, a sandália esquerda da Carolina, filha de um empresário e integracionista confesso. O romance inclui generosamente todos os que participaram na construção do país: os que ficaram e os que partiram, os que lutaram e os que colaboraram; as mulheres que perderam os maridos e tiveram de pedir «protecção» aos agentes dos invasores, em suma, todos os timorenses, sem censurar uns e outros, e com um enorme sentido de humor e uma profunda humanidade em que todos têm direito ao seu lugar.

Luís Cardoso nasceu em Kailako, uma vila no interior de Timor que aparece por diversas vezes referenciada nos seus romances. É filho de um enfermeiro que prestou serviço em várias localidades de Timor, razão pela qual conhece e fala diversos idiomas timorenses. Estudou nos colégios missionários de Soibada e de Fuiloro e, posteriormente, no seminário dos jesuítas em Dare e no Liceu Dr. Francisco Machado em Díli. Licenciou-se em Silvicultura no Instituto Superior de Agronomia de Lisboa. Desempenhou as funções de Representante do Conselho Nacional da Resistência Maubere em Portugal. É autor de outros quatro romances: Crónica de Uma Travessia (1997), Olhos de Coruja Olhos de Gato Bravo  (2002),  A Última Morte do Coronel Santiago  (2003), Requiem para o Navegador Solitário (2007).

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Alex Cross (James Patterson)

Doze anos antes, quando a esposa foi assassinada, Alex Cross era uma figura essencial na polícia de Washington DC. O passar do tempo, contudo, e a necessidade de se dedicar aos filhos, ao mesmo tempo que lidava com a sua própria perda, levaram-no a algumas mudanças. Agora, Alex acaba de deixar o seu papel nas forças de segurança e volta a trabalhar como psicólogo. Ao mesmo tempo, espera dedicar-se mais aos filhos e, quem sabe, seguir, finalmente, em frente e encontrar outra pessoa. Mas há alturas em que o passado regressa e, quando o se antigo parceiro lhe pede ajuda para investigar o caso de um violador em série, Alex sente a necessidade de ajudar. O que não sabe é que o criminoso é alguém que já encontrou... e que talvez esteja relacionado com a morte de Maria.
Capítulos curtos, muita acção e um estilo de escrita directo e centrado nos acontecimentos. São estes os principais elementos a fazer deste livro uma leitura compulsiva. Há sempre algo a acontecer, ao longo da história, e muitas revelações, que, por sua vez, levantam novas perguntas, o que cria uma necessidade de continuar a ler, para descobrir as respostas. Não há momentos parados, o que, aliado à exposição directa de cada situação, sem grandes divagações e apresentando o contexto na medida em que ele é necessário, faz com que o enredo se torne mais intenso, com os momentos de maior tensão a ganharem impacto pelas soluções - e novos problemas - que impõem ao mistério.
Esta intensidade de acção torna-se ainda mais cativante pelo carisma das personagens que a protagonizam. Ao percorrer uma parte do passado de Alex, realçando o impacto da perda de Maria na sua vida, o autor abre, desde logo, alguma empatia para com o protagonista, e essa proximidade vai sendo reforçada pelas muitas boas características - e até pela relativa vulnerabilidade de alguns momentos - que se revelam com o evoluir do enredo. Por outro lado, ao alternar o ponto de vista de Alex, narrado na primeira pessoa, com a história do próprio criminoso, o autor faz com que o antagonista de Alex seja mais que um simples vilão que é necessário deter. Também Sullivan tem a sua própria história e os fantasmas que o tornaram no que é. E o facto é que isso não atenua o impacto do seu papel de vilão, conferindo-lhe antes uma maior complexidade. 
Ficam algumas questões em aberto, o que é natural, sendo este livro parte de uma série. Algumas terão, talvez, sido respondidas em livros anteriores, enquanto que outras parecem abrir interessantes possibilidades para o livro seguinte. De qualquer das formas, estas perguntas sem resposta não dizem respeito apenas a acontecimentos referidos, mas à própria personalidade de Alex, que, como uma das personagens refere, "é um enigma", e que, por isso, tem ainda muito potencial por desvendar.
Intenso e viciante, com uma boa história e personagens carismáticas, este é, portanto, um livro de entretenimento puro, com um mistério cativante, muitas revelações interessantes e um toque de emoção que torna as personagens mais próximas. Fica, sem dúvida, a curiosidade em ler mais desta série. Muito bom.

Os Miseráveis - nova capa


Título: Os Miseráveis
Autor: Victor Hugo
Colecção: Clássicos
Preço: 36.85€
Pp.: 1206

Um clássico de convicção, humanismo e coragem.
Um romance imortal.
Um filme inesquecível.

Romance social marcado por uma vasta análise de costumes da França de meados do século XIX. /Os Miseráveis/ revela uma grande complexidade tanto ao nível da escrita como da própria intriga, misturando intimamente realismo e romantismo.
Num contexto histórico que cobre o período entre a batalha de Waterloo e as barricadas de Paris, Victor Hugo apresenta-nos a história de Jean Valjean, um popular prisioneiro condenado por ter roubado um pão e cuja pena será agravada por tentativa de evasão
Em vez de ser reeducado pela justiça humana para a vida civil, é endurecido no mal.
Esta história, imbuída de misticismo e maravilhoso, é, antes de mais, uma denúncia de todo o tipo de injustiças, espelhando a forma exemplar as contradições e grandezas daquele século.